A composição do novo governo francês, liderado pelo primeiro-ministro Michel Barnier, nomeado pelo presidente Emmanuel Macron, provocou um intenso debate na imprensa e entre os eleitores. Anunciado no sábado (21/09/2024), o novo gabinete inclui uma maioria de ministros de centro e direita, sendo considerado pela mídia o mais conservador dos últimos 20 anos. Críticas em torno da representatividade e da orientação política do governo se multiplicaram, especialmente pela falta de figuras públicas conhecidas e pelo desalinhamento com o resultado das eleições legislativas de julho. O desafio de Barnier agora é tentar consolidar sua base e recuperar a confiança do público e dos investidores internacionais.
Reação da Imprensa: Conservadorismo e Incertezas
Os principais jornais franceses foram rápidos em avaliar a nova configuração política do governo. O Le Figaro, tradicionalmente alinhado à direita, afirmou que “o mais difícil começa agora” para Barnier. A crítica do jornal foca nos riscos de instabilidade do novo gabinete, cuja base política é composta majoritariamente por nomes de centro-direita, derrotados nas eleições legislativas antecipadas. Em editorial, o jornal afirma que Barnier terá que equilibrar as expectativas da ala conservadora enquanto lida com uma economia fragilizada pela crise orçamentária. Para o Le Figaro, o governo de Barnier pode ser “um milagre ou um fracasso”, destacando a nomeação de Bruno Retailleau como um dos elementos de risco.
O La Croix, jornal de viés mais moderado, trouxe uma análise semelhante, intitulando o novo governo de “um governo na corda bamba”. A crítica principal reside no fato de que a maioria dos ministros nomeados pertence a correntes políticas derrotadas nas urnas, o que não refletiria a vontade expressa pelos eleitores. O jornal argumenta que a ausência de figuras públicas fortes nos principais ministérios e a predominância de políticos relativamente desconhecidos cria uma sensação de fragilidade. Segundo o diário, essa fragilidade pode comprometer a governabilidade a longo prazo, dificultando a resposta do governo às crises que estão por vir.
Por outro lado, o Libération, jornal de orientação à esquerda, foi ainda mais enfático ao criticar o novo governo, classificando-o como “o mais conservador desde a era Nicolas Sarkozy”. A manchete do jornal estampava “O pacto reacionário”, em alusão ao que a publicação considera uma tentativa de Michel Barnier de consolidar um bloco conservador à custa de um “desvio democrático”. Segundo o Libération, a decisão de Macron de dissolver a Assembleia Nacional e convocar novas eleições, mas ignorar o resultado favorável à esquerda, enfraquece o sistema democrático francês. O jornal sugere que o novo governo de Barnier é um reflexo dessa manobra, consolidando um bloco político que desrespeita o desejo popular.
Opinião Pública: Perplexidade e Desconfiança
Além das críticas na imprensa, o novo governo não foi bem recebido pela população francesa. De acordo com uma reportagem publicada pelo Le Parisien, eleitores de várias regiões do país demonstraram perplexidade e desconfiança em relação às nomeações feitas por Barnier. Muitos questionaram o alinhamento conservador do gabinete e apontaram para uma desconexão entre o governo e o resultado das urnas, que favoreceu a coalizão de esquerda.
O jornal entrevistou cidadãos de Paris, Marselha e Clermont-Ferrand, revelando um sentimento de frustração com as escolhas do novo governo. “É uma colcha de retalhos incoerente”, disse Jérôme, 43 anos, eleitor de Paris, que afirmou não ver no novo gabinete a representatividade que deveria existir após as eleições legislativas. Outros entrevistados compartilharam opiniões semelhantes, reforçando a sensação de que o governo de Barnier carece de renovação e inovação, elementos considerados essenciais para enfrentar os desafios econômicos e sociais que o país atravessa.
Lista Completa dos Membros do Governo Michel Barnier
Abaixo está a composição completa do novo governo francês:
- Michel Barnier – Primeiro-ministro
- Didier Migaud – Ministro da Justiça
- Catherine Vautrin – Ministra da Parceria Regional e Descentralização
- Bruno Retailleau – Ministro do Interior
- Anne Genetet – Ministra da Educação
- Jean-Noel Barrot – Ministro das Relações Exteriores e Europeias
- Paul Christophe – Ministro da Solidariedade, Autonomia e Igualdade de Gênero
- Valérie Létard – Ministra da Habitação e Renovação Urbana
- Rachida Dati – Ministra da Cultura
- Sébastien Lecornu – Ministro das Forças Armadas
- Agnès Pannier-Runacher – Ministra da Transição Ecológica, Energia, Clima e Prevenção de Riscos
- Antoine Armand – Ministro da Economia, Finanças e Indústria
- Geneviève Darrieussecq – Ministra da Saúde e Acesso a Cuidados
- Annie Genevard – Ministra da Agricultura, Soberania Alimentar e Florestas
- Astrid Panosyan-Bouvet – Ministra do Trabalho e Emprego
- Gil Avérous – Ministro dos Esportes, Juventude e Associações
- Patrick Hetzel – Ministro do Ensino Superior e Pesquisa
- Guillaume Kasbarian – Ministro da Função Pública, Simplificação e Transformação da Ação Pública
- François-Noel Buffet – Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, responsável pelo Exterior
- Laurent Saint-Martin – Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, responsável pelo Orçamento e Contas Públicas
Desafios à Frente: Governabilidade e Instabilidade
O governo de Michel Barnier já começa sob forte pressão, tanto da imprensa quanto da opinião pública. Além de lidar com uma economia em crise, agravada pela baixa credibilidade junto aos investidores internacionais, Barnier enfrenta o desafio de consolidar uma base política estável, algo que será difícil dada a composição de seu governo. O primeiro-ministro tem buscado promover um discurso de compromisso e moderação, mas as críticas iniciais sugerem que seu gabinete não conseguirá atender às expectativas de vários setores da sociedade.
A nomeação de ministros com perfis conservadores e pouco conhecidos pode dificultar a obtenção de apoio popular, enquanto a ausência de grandes figuras políticas nos principais ministérios eleva o risco de instabilidade. Com uma oposição de esquerda fortalecida e uma imprensa vigilante, o governo de Barnier enfrentará obstáculos significativos nos próximos meses.
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