Nesta segunda-feira (02/09/2024), Israel testemunhou a implementação de uma greve geral em resposta à convocação da Histadrut, a central sindical do país, liderada por Arnon Bar David. A greve foi anunciada após uma reunião com os familiares dos reféns sequestrados pelo Hamas na Faixa de Gaza. Desde a manhã, empresas de diversos setores aderiram ao movimento, que visa pressionar o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a revisar suas posições nas negociações para um acordo de cessar-fogo e a libertação dos 101 reféns que permanecem em Gaza.
O Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, está operando em regime parcial, com as decolagens suspensas temporariamente. Funcionários da Histadrut informaram que as operações aéreas continuarão reduzidas até que haja uma mudança na situação. Hospitais em todo o país estão funcionando com um número reduzido de trabalhadores, mantendo apenas esquemas de plantão. Diversas prefeituras também aderiram à greve e não estão atendendo ao público nesta segunda-feira. Além disso, duas das maiores empresas de transporte público interromperam suas atividades, incluindo o veículo leve sobre trilhos (VLT) que serve Tel Aviv e áreas circunvizinhas.
No final de semana, o Exército de Israel anunciou a recuperação de seis corpos de reféns que foram assassinados pelo Hamas. De acordo com a autópsia, esses reféns foram mortos com tiros na cabeça e estariam vivos até dois dias antes de sua morte. A situação foi exacerbada por uma recente decisão do Gabinete de Segurança, que votou para manter as tropas de Israel no Corredor Filadélfia, uma faixa de cerca de 14 quilômetros na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. Israel alega que o local abriga centenas de túneis subterrâneos usados pelo Hamas para receber armamentos do Egito.
A discussão interna sobre o Corredor Filadélfia foi divulgada para a imprensa israelense, provocando uma forte reação pública. Durante uma reunião do Gabinete, o ministro da Defesa, Yoav Gallant, questionou diretamente o primeiro-ministro Netanyahu sobre uma possível decisão entre manter as tropas no Corredor ou recuperar os reféns. Netanyahu respondeu que preferia manter as posições firmes no Filadélfia para pressionar o Hamas a flexibilizar.
A revelação dos corpos de reféns e a resposta de Netanyahu resultaram em grandes manifestações em todo o país na noite de domingo (1º). O Fórum das Famílias dos Reféns relatou que cerca de 500 mil pessoas participaram dos protestos, um número significativo considerando a população total de Israel de aproximadamente 9,7 milhões de habitantes.
*Com informações da RFI.








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