Guerra entre Israel e Hezbollah escala no Oriente Médio com ataques ao Líbano 

O confronto entre Israel e Hezbollah entrou em uma nova fase na manhã de segunda-feira (23/09/2024), com Israel lançando ataques aéreos massivos contra mais de 150 alvos do grupo xiita libanês em todo o Líbano. A operação militar faz parte de uma estratégia mais ampla para enfraquecer as capacidades do Hezbollah e afastar suas forças da fronteira norte de Israel. Desde o início das hostilidades em outubro, o Hezbollah tem bombardeado o norte israelense, intensificando os temores de uma nova guerra regional.

Os ataques israelenses, descritos por observadores como os mais intensos desde a Segunda Guerra do Líbano em 2006, são parte de uma ofensiva planejada. A operação foi precedida por uma série de alertas emitidos pelo Exército de Israel à população civil do Líbano, aconselhando-a a evacuar áreas controladas pelo Hezbollah. Mensagens de texto foram enviadas aos moradores, e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, exortou a população israelense a seguir as orientações do Comando da Frente Interna, órgão responsável por coordenar a defesa civil.

A ofensiva israelense ocorre após semanas de escalada, que começou quando o Hezbollah iniciou uma série de ataques contra o norte de Israel no início de outubro, como resposta aos combates entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Desde então, cerca de 150 mil libaneses e mais de 60 mil israelenses foram forçados a deixar suas casas.

Contexto do Conflito

O Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã, tem sido um dos principais adversários de Israel no Líbano, operando ao longo da fronteira e lançando ataques contra alvos israelenses. O grupo, que controla grande parte do sul do Líbano, começou a intensificar suas atividades militares em solidariedade ao Hamas, que também se encontra em confronto direto com Israel na Faixa de Gaza. O objetivo declarado de Israel, neste momento, é enfraquecer a capacidade militar do Hezbollah e romper a ligação entre os combates no Líbano e em Gaza.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tem afirmado que a operação visa garantir o retorno seguro de cidadãos israelenses deslocados do norte do país. O Comando da Frente Interna, juntamente com as Forças de Defesa de Israel (FDI), tem coordenado os esforços para proteger civis e impedir que os ataques do Hezbollah continuem a ameaçar a segurança da população.

Reação Internacional

O aumento da violência na fronteira entre Israel e o Líbano despertou forte preocupação da comunidade internacional. Os Estados Unidos, que são os principais aliados de Israel, apelaram a seus cidadãos para que deixem o Líbano, em meio a crescentes temores de que o conflito se expanda. O presidente Joe Biden manifestou apoio às ações defensivas de Israel, mas também destacou a necessidade de esforços diplomáticos para evitar que a crise se alastre para outros países da região.

A União Europeia, o Reino Unido e outros países pediram um cessar-fogo imediato, enquanto a ONU alertou que a situação no Oriente Médio pode se transformar em uma “catástrofe iminente”. Jeanine Hennis-Plasschaert, coordenadora especial da ONU para o Líbano, afirmou que os confrontos entre Israel e o Hezbollah podem minar todos os esforços de paz em andamento e agravar ainda mais a crise humanitária na região.

O Egito, que historicamente tem desempenhado um papel de mediador nas tensões regionais, expressou preocupação de que a escalada no Líbano possa minar os esforços para alcançar um cessar-fogo na Faixa de Gaza, onde as forças israelenses continuam a realizar operações contra o Hamas.

Impactos Humanitários

Os confrontos entre Israel e Hezbollah já resultaram em centenas de mortes no Líbano, incluindo tanto combatentes quanto civis. Os bombardeios aéreos israelenses em áreas controladas pelo Hezbollah no sul do Líbano e nos subúrbios de Beirute têm causado destruição significativa. De acordo com fontes oficiais libanesas, um ataque recente em um subúrbio ao sul de Beirute deixou 45 mortos, entre eles 16 membros da força de elite do Hezbollah, conhecida como Unidade Radwan, além de civis.

No Líbano, a situação humanitária continua a se deteriorar, com milhares de famílias forçadas a fugir de suas casas. As forças israelenses aconselharam os civis a se afastarem de instalações do Hezbollah, mas muitas áreas afetadas são densamente povoadas, o que dificulta a evacuação. O ministro da Saúde do Líbano, Firass Abiad, relatou que o número de mortos continua a aumentar, à medida que equipes de resgate tentam remover escombros de áreas atingidas.

A ofensiva israelense contra o Hezbollah é vista como uma resposta aos ataques do grupo que, nos últimos dias, utilizou foguetes de longo alcance contra alvos em Israel. Em retaliação, o Hezbollah lançou mais de 150 foguetes e mísseis contra o norte de Israel, causando destruição em várias localidades, embora os danos tenham sido descritos como “não significativos” pelo Exército israelense.

Posições Estratégicas e Metas Militares

Israel tem adotado uma postura clara de que não aceitará ataques contínuos em seu território, e que o Hezbollah precisa ser contido. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a operação militar contra o Hezbollah tem como objetivo enviar uma mensagem inequívoca ao grupo, bem como a outros atores na região: Israel responderá a qualquer ameaça à sua segurança.

Por sua vez, o Hezbollah, em meio a seus funerais de combatentes, reafirmou que está preparado para “todos os cenários” e que suas ações continuarão enquanto Israel mantiver ofensivas na Faixa de Gaza. O grupo tem aproveitado a instabilidade para fortalecer sua posição no Líbano, ainda que a população civil libanesa continue a sofrer as consequências das ações militares de ambos os lados.

Repercussões Regionais

O atual conflito entre Israel e o Hezbollah é o mais grave desde 2006, e há temores de que a guerra se espalhe para outras partes do Oriente Médio. A ONU e outras organizações internacionais continuam a destacar a necessidade de soluções diplomáticas, alertando que a continuação das hostilidades pode desestabilizar ainda mais a região.

O Hezbollah é apoiado pelo Irã, o que acrescenta uma dimensão geopolítica ao conflito. Outros países, como a Síria, também observam de perto os desdobramentos, temendo que o confronto entre Israel e o Hezbollah possa se expandir para seus próprios territórios.

Israel e o Hezbollah permanecem em conflito

A intensificação dos combates entre Israel e o Hezbollah não mostra sinais de desaceleração. A ofensiva militar de Israel, destinada a destruir a infraestrutura do Hezbollah e garantir a segurança de sua população, continua a ter impactos devastadores no Líbano, onde civis sofrem as consequências dos ataques aéreos. Enquanto isso, os esforços diplomáticos internacionais até agora falharam em mediar um cessar-fogo, e o conflito ameaça se expandir para outras partes do Oriente Médio.

*Com informações da RFI e da AFP.


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