Investigação revela risco em motor de Airbus A350 da Cathay Pacific

Um relatório das autoridades de Hong Kong indica a existência de um defeito no motor do Airbus A350 da companhia aérea Cathay Pacific, que resultou no cancelamento de numerosos voos no início de setembro. A investigação, divulgada na quinta-feira (19/09/2024), alerta para o potencial de “sérios incidentes” decorrentes do problema, que poderia ter causado “danos significativos” à aeronave.

Em resposta ao incidente, a Cathay Pacific decidiu suspender temporariamente a operação de sua frota de A350 para realizar inspeções e reparos. Essa medida foi tomada após uma das aeronaves, que tinha como destino Zurique, ser forçada a retornar a Hong Kong em 2 de setembro. As verificações subsequentes revelaram um “buraco visível” em uma mangueira de combustível, presença de “fuligem preta” na parte traseira do motor principal, além de outros vestígios de fogo, conforme detalha o relatório preliminar da Autoridade de Investigação de Acidentes Aéreos de Hong Kong (AAIA).

A investigação sugere que o combustível pode ter escapado pelo cano rompido, provocando um incêndio que se espalhou para áreas adjacentes. O relatório destaca que, se a situação não tivesse sido rapidamente detectada e corrigida, poderia ter evoluído para um incêndio mais grave no motor, resultando em danos substanciais à aeronave. A AAIA classifica o incidente como “sério”.

O motor em questão é fabricado pela Rolls-Royce, que afirmou estar colaborando com os reguladores na investigação. A AAIA recomendou à Agência de Segurança da Aviação da União Europeia que desenvolvesse informações de aeronavegabilidade contínua, incluindo requisitos para inspeções das mangueiras de coletor de combustível secundário dos motores afetados.

Após a decolagem, a tripulação da aeronave percebeu um aviso de incêndio no motor número dois, emitindo um sinal de emergência máxima “Mayday”, embora posteriormente tenha corrigido a chamada para uma situação de urgência. O aviso de incêndio foi cancelado 59 segundos depois, após a tripulação desligar o motor e utilizar um extintor. O porta-voz da AAIA ressalta que o relatório preliminar deve ser considerado provisório.

Em resposta a consultas da AFP, a Airbus optou por não comentar o caso, direcionando as perguntas para a AAIA. De acordo com especialistas, componentes de 15 das 48 aeronaves da frota A350 da Cathay, equipados com motores Rolls-Royce, necessitaram de substituição. Além disso, cinco outras mangueiras de combustível da aeronave que se destinava a Zurique, construída em 2019, apresentaram “cabos trançados de metal desgastados ou estruturas danificadas”.

O incidente envolvendo a Cathay Pacific levou outras companhias aéreas a realizarem verificações semelhantes em seus modelos A350-900 e A350-1000, que utilizam motores Rolls-Royce Trent XWB-84 e XWB-97. A Agência Europeia para a Segurança da Aviação também recomendou inspeções nos A350-1000, observando que existem 86 aeronaves desse modelo em operação no mundo. No entanto, a agência considerou que as inspeções obrigatórias dos motores Airbus A350-900 não se justificam neste momento. A Rolls-Royce defendeu seus motores Trent XWB-97, afirmando que está implementando medidas para aumentar sua durabilidade. O Airbus A350 é a maior aeronave da fabricante desde a interrupção da produção do A380 em 2021, com capacidade para transportar até 500 passageiros na versão 1000.

*Com informações da RFI.


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