Drance Matos Amorim nasceu em 24 de março de 1924, em Feira de Santana, Bahia, sendo o primogênito de Targino Amorim e Celia Matos Amorim. Aos três meses, sua família se mudou para Recife, onde ele passou a maior parte de sua infância e juventude. Essa mudança criou uma conexão forte com Pernambuco, levando muitos a identificá-lo como pernambucano, embora ele sempre mantivesse uma forte ligação com suas origens baianas.
Sua educação começou em Recife, onde desde cedo demonstrou habilidades notáveis nas áreas de ciências e tecnologia. Estudou no tradicional Ginásio Santanópolis, em Feira de Santana, antes de ingressar na Universidade Federal de Pernambuco, onde se formou em medicina, especializando-se em cirurgia. Apesar de ter iniciado sua carreira como médico, foi no campo da eletrônica que sua trajetória profissional alcançou reconhecimento internacional.
Expansão do Conhecimento: Da Medicina à Tecnologia
Após sua graduação, Drance Amorim passou a exercer a medicina no Hospital Português, em Recife, onde também começou a explorar o campo da eletrônica. Suas habilidades técnicas e científicas o destacaram como um profissional inovador. Ainda no início de sua carreira, Drance participou da montagem de uma emissora de televisão em Recife, utilizando tecnologia própria, o que já evidenciava seu domínio técnico em eletrônica e sua capacidade de desenvolver soluções criativas.
Além de sua prática médica, Drance ingressou no Exército Brasileiro, onde serviu no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR). Durante esse período, foi condecorado por suas contribuições ao desenvolvimento técnico-militar, consolidando sua reputação de engenheiro competente e inovador.
Contribuições na NASA e Reconhecimento Internacional
Em 1965, Drance Amorim foi convidado pelo governo dos Estados Unidos a participar de um programa de desenvolvimento tecnológico, recebendo a oportunidade de trabalhar na NASA. Sua atuação na agência espacial americana foi marcada por sua contribuição no desenvolvimento de tecnologias de robótica, uma área de crescente importância nos programas espaciais da época. Amorim aplicou seus conhecimentos para criar dispositivos de precisão, sendo o mais notável o primeiro audiômetro de respostas evocadas.
Sua invenção, que possibilitou avanços na área de audiologia e engenharia eletrônica, foi reconhecida com o Prêmio R-100, uma distinção oferecida apenas aos 100 maiores cientistas do mundo. O prestígio dessa premiação destacou Amorim como um dos principais inovadores da época, colocando-o em um seleto grupo de cientistas de destaque internacional.
Retorno ao Brasil: Inovação Local e Desenvolvimento Regional
Após alguns anos nos Estados Unidos, Drance retornou ao Brasil em 1970 a convite do governo brasileiro, via Ministério das Relações Exteriores. Inicialmente estabelecido no Rio de Janeiro, ele logo decidiu retornar a Feira de Santana, cidade onde consolidou seu legado tecnológico e científico.
De volta a Feira de Santana, Drance fundou a ECNRAD Pesquisa e Desenvolvimento Ltda., empresa voltada à produção de tecnologias avançadas, que rapidamente se destacou pelo desenvolvimento da central horária do Observatório Astronômico Antares. Seu compromisso com o avanço tecnológico brasileiro também o levou a colaborar com o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento do Estado da Bahia (CEPED), onde contribuiu para a implementação de projetos inovadores.
Amorim desempenhou um papel fundamental no avanço das telecomunicações na região, criando o transmissor da Rádio Princesa FM, a primeira emissora de rádio em frequência modulada (FM) de Feira de Santana. Com uma tecnologia totalmente desenvolvida no Brasil, o transmissor foi capaz de cobrir mais de 50 municípios, contribuindo para a expansão da comunicação em áreas remotas.
Atuação Ambiental e Conscientização sobre Poluição
Drance Amorim também teve uma atuação importante na área ambiental, sendo um dos primeiros a alertar sobre os riscos da poluição industrial em Feira de Santana. Durante a década de 1970, o crescimento do setor industrial no Centro Industrial do Subaé trouxe desafios ambientais para a região, com o aumento dos níveis de poluição, especialmente pela Química Geral do Nordeste (QGN).
Amorim liderou uma série de campanhas e iniciativas para denunciar os efeitos nocivos dessa poluição, buscando conscientizar tanto a população quanto as autoridades locais sobre a necessidade de medidas de controle ambiental. Sua atuação como ambientalista refletia seu compromisso não apenas com o desenvolvimento tecnológico, mas também com a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população local.
Legado de Inovação e Homenagens
Drance Amorim faleceu em 5 de maio de 2007, aos 85 anos, em sua cidade natal, Feira de Santana. Conforme seu desejo, seu corpo foi cremado e sepultado em Salvador. Seu legado continua presente em diversas áreas, desde as telecomunicações e a ciência até a defesa ambiental.
Como reconhecimento por suas contribuições, o Centro Digital Municipal Dr. Drance Mattos de Amorim foi inaugurado em 4 de junho de 2011, no bairro das Baraúnas, em Feira de Santana. Essa iniciativa foi uma homenagem póstuma do então prefeito Dr. Tarcísio Suzart Pimenta Junior, que destacou a importância de Drance Amorim para o desenvolvimento local e regional.
Drance Amorim deixou um legado que é lembrado por sua família — sua esposa Sônia Mattos Amorim, seus seis filhos e oito netos — e por todos aqueles que se beneficiaram de suas inovações tecnológicas e de suas ações em prol da comunidade.
Vida dedicada a Ciência, Tecnologia e Cidadania
A trajetória de Drance Amorim revela um compromisso contínuo com a ciência, a inovação tecnológica e a responsabilidade social. Sua habilidade de transitar entre áreas tão diversas como medicina, engenharia eletrônica e ambientalismo ilustra a multiplicidade de seu talento e de sua visão de futuro. No Brasil, ele foi um dos pioneiros no desenvolvimento de transmissões de rádio FM, e, no exterior, suas contribuições à NASA o colocaram entre os maiores cientistas de sua geração.
O legado de Drance Amorim, construído ao longo de décadas de dedicação à ciência e à comunidade, continua a influenciar gerações futuras. Sua vida e obra permanecem como um exemplo de como a ciência e a tecnologia podem ser utilizadas para o bem-estar social e a preservação do meio ambiente, reafirmando o valor do conhecimento em prol da humanidade.
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