“Para Não Dizer que Não Falei de Flores (Caminhando)”, lançada por Geraldo Vandré em 1968, tornou-se rapidamente um hino de resistência política no Brasil, após sua performance no Festival da Canção. A música, com sua letra de protesto contra a ditadura militar, marcou uma era de mobilização social e política. Em 2024, a faixa é reinterpretada pelo rapper Rappin Hood, em colaboração com o produtor Thiago Barromeo, e lançada pelo selo pernambucano Estelita.
Rappin Hood, conhecido por seu trabalho na cena do rap e ativismo social, trouxe uma abordagem inovadora à canção ao incorporar elementos do reggae Nyabinghi, uma forma tradicional do reggae associado a celebrações Rastafari na Jamaica. Essa fusão resulta em uma combinação única de reggae e rap, buscando revisitar as raízes dos movimentos musicais de protesto.
Em entrevista, Rappin Hood explicou que a inspiração para a regravação veio da letra original de Vandré. Ele e Barromeo exploraram batidas do reggae Nyabinghi, com o objetivo de unir o rap e o reggae em uma mensagem de protesto.
“Queríamos dar uma visitada nas raízes do rap e reggae, inclusive porque no começo dos movimentos, nós tínhamos mais músicas de protesto”, disse Rappin Hood.
Ele destacou que o projeto visa ressaltar a importância das músicas de mensagem, independentemente das circunstâncias atuais.
Geraldo Vandré, hoje com 88 anos e conhecido por sua postura reclusa, participou da regravação ao fornecer a introdução da música. Sua última apresentação foi em 2018, no Festival Aruanda em João Pessoa, quando recebeu uma homenagem. Segundo Rappin Hood, apesar da reputação de reclusão de Vandré, ele recebeu autorização e apoio para a nova versão da canção. “Eu não esperava que isso acontecesse. É uma honra gravar essa música”, afirmou o rapper.
Rappin Hood também mencionou que, apesar dos desafios atuais, a situação política tem melhorado em comparação com o período de extrema repressão descrito nas letras de Vandré. Ele refletiu sobre a mudança na atmosfera política, observando que embora ainda haja questões a serem resolvidas, a intensidade do conflito atual não é comparável à daquele período.









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