O Teatro Vila Velha, localizado no Passeio Público de Salvador, iniciou um importante processo de modernização de suas instalações, com previsão de reinauguração para 2025. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (04/09/2024), em evento que reuniu o diretor artístico Márcio Meirelles, o secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, e o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro. Com um investimento de aproximadamente R$ 23 milhões, a obra tem o objetivo de adaptar o espaço às novas demandas de acessibilidade, renovar seus equipamentos e preservar sua estrutura histórica, sem comprometer sua essência.
Investimento e Modernização
Coordenado pela Fundação Mário Leal Ferreira e elaborado pelo escritório A+P Arquitetos Associados, o projeto prevê a execução de diversas melhorias ao longo de 300 dias. A reforma inclui a criação de um novo eixo de circulação, composto por passarelas, escadas e elevador, além da ampliação da área administrativa na cobertura. O projeto também prevê a qualificação dos ambientes internos e a criação de um depósito externo. Entre as atualizações tecnológicas estão a implantação de um novo sistema de ar-condicionado, a modernização do sistema elétrico e a qualificação acústica do teatro, adaptando-o às exigências de segurança e acessibilidade universais, com destaque para o Projeto de Combate a Incêndio.
O palco do Teatro Vila Velha, que já abrigou grandes produções artísticas e foi palco de importantes momentos culturais do Brasil, será preservado, mantendo sua estrutura original. Entretanto, todos os equipamentos técnicos serão substituídos por novas tecnologias, oferecendo recursos de última geração para as futuras produções artísticas. Segundo Márcio Meirelles, a atualização técnica vai garantir que o teatro continue sendo um espaço de excelência na difusão cultural, mantendo seu papel histórico e sua relevância contemporânea.
Continuidade das Atividades Culturais
Durante o período de reforma, o público poderá acompanhar o projeto “O Vila Ocupa a Cidade”, que levará as produções e atividades culturais do Teatro Vila Velha a outros espaços de Salvador. A iniciativa, lançada junto ao anúncio da modernização, busca manter o engajamento do público e preservar a conexão do teatro com as diversas linguagens artísticas. O calendário de atividades do projeto inclui apresentações de teatro, música, dança e outras manifestações culturais, reforçando o compromisso do Vila Velha com a formação e a difusão artística na cidade.
Apoio Institucional e Político
O secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, destacou a importância do projeto para o fortalecimento do setor cultural da cidade. Ele ressaltou que o investimento da Prefeitura de Salvador, que totaliza cerca de R$ 11 milhões para a reforma física e mais R$ 10 a 12 milhões para a aquisição de novos equipamentos, reflete o compromisso da gestão em preservar e revitalizar os espaços culturais históricos da capital baiana. Segundo Tourinho, o Teatro Vila Velha será entregue com sua infraestrutura modernizada e adequada para continuar desempenhando seu papel como polo cultural da cidade.
Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos, reforçou o papel do Vila Velha como um espaço de resistência política e cultural, recordando sua própria trajetória de formação no teatro e a importância do local durante o período da ditadura militar. Para Guerreiro, a reinauguração do teatro em 2025 será um marco não apenas para a cena artística, mas também para a memória cultural de Salvador, uma vez que o Vila Velha é símbolo de pertencimento e identidade local.
História do Teatro Vila Velha
Fundado em 1964 no Passeio Público de Salvador, o Teatro Vila Velha é um dos mais importantes espaços culturais do Brasil, sendo reconhecido por sua relevância histórica, artística e política. A origem do teatro remonta a 1961, quando o terreno foi cedido pelo então governador Juracy Magalhães ao grupo Teatro dos Novos, formado por jovens artistas baianos. Com o apoio da Prefeitura de Salvador e do Governo do Estado da Bahia, o Vila foi inaugurado três anos depois, em 31 de julho de 1964.
O teatro rapidamente se consolidou como um centro de efervescência cultural, abrigando movimentos como o tropicalismo e o grupo Novos Baianos, que marcaram época no cenário cultural brasileiro. Além disso, o Vila Velha foi palco de resistência à ditadura militar, sendo um espaço onde artistas, intelectuais e militantes culturais se encontravam para debater e questionar o regime autoritário. Ao longo das décadas, o teatro se tornou um espaço de formação de grandes nomes da dramaturgia, da música e das artes visuais do Brasil, como Othon Bastos, Lázaro Ramos, Virgínia Rodrigues, entre outros.
O Vila Velha também é reconhecido por seu papel na promoção da diversidade artística e cultural, sendo um espaço de acolhimento para artistas de diferentes linguagens e grupos sociais. Com sua reinauguração em 2025, o teatro continuará a desempenhar sua função como um dos principais centros de criação e difusão cultural do Brasil, preservando sua história e se adaptando às novas demandas do século XXI.
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