Moradores da Grande São Paulo enfrentam uma crise de poluição do ar, provocada pelo aumento das queimadas nas áreas ao redor da metrópole. A fumaça gerada pelos incêndios florestais cobre o céu da capital, prejudicando a qualidade do ar e trazendo consequências à saúde pública. Entre os municípios mais afetados está Campo Limpo Paulista, onde moradores relatam dificuldades para respirar e a proximidade das chamas com suas residências.
Tarciana Moreti, moradora de Campo Limpo Paulista, descreveu o impacto das queimadas na sua rotina. Ao abrir a janela de sua casa na última quinta-feira (12/09/2024), deparou-se com uma densa camada de fumaça. Segundo Moreti, o cheiro forte obrigou sua família a usar máscaras para sair de casa. Na tarde anterior, o fogo havia se aproximado das casas de sua vizinhança, consumindo a vegetação local, que inclui áreas de Mata Atlântica. Aproximadamente 3 mil hectares de vegetação foram destruídos, afetando a biodiversidade da região e aumentando a preocupação dos moradores.
Esses incêndios fazem parte de um fenômeno mais amplo que tem afetado toda a região metropolitana de São Paulo. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de queimadas aumentou drasticamente em 2024. Apenas nas duas primeiras semanas de setembro, 38 dos 39 municípios da Grande São Paulo foram atingidos por focos de incêndio. A situação elevou a capital paulista ao posto de cidade com a pior qualidade do ar no mundo, segundo o site suíço IQAir, durante vários dias consecutivos.
Especialistas atribuem o aumento dos incêndios a ações criminosas, já que não foram registradas ocorrências de raios que pudessem desencadear o fogo. A proximidade dos focos de incêndio com a capital paulista e a dinâmica dos ventos contribuem para a retenção da fumaça na cidade, agravando a poluição do ar, que já é severa devido à emissão de poluentes por veículos automotores. Esse cenário faz com que a concentração de materiais particulados, como o MP2.5, atinja níveis preocupantes.
O MP2.5 é um dos poluentes mais nocivos à saúde humana, sendo composto por partículas finas que podem penetrar nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o índice médio de MP2.5 na capital chegou a 120 em setembro, com picos de 163, superando o registrado em anos anteriores. O cirurgião torácico Rodrigo Sardenberg alerta que essas partículas não afetam apenas os pulmões, mas também podem causar problemas no coração e no cérebro, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Dados da Cetesb também apontam um aumento expressivo nos casos de doenças respiratórias graves, com mais de 70 óbitos registrados entre agosto e setembro de 2024. Segundo especialistas, esses números estão diretamente relacionados à piora da qualidade do ar na cidade, agravada pelas queimadas na região metropolitana.
A professora Maria de Fátima Andrade, da Universidade de São Paulo (USP), que pesquisa a qualidade do ar há mais de 18 anos, afirma que a situação atual é crítica. Embora a concentração de poluentes nesta época do ano seja naturalmente alta, o agravante em 2024 é a proximidade das queimadas. A fumaça gerada pelos incêndios não se dispersa facilmente e permanece próxima ao solo, intensificando os efeitos sobre a saúde dos moradores.
Em meio à crise, relatos de desespero são comuns. Almut Lenk, moradora da zona sul da capital, tentou combater as chamas que ameaçavam a casa de sua mãe, localizada em Várzea Paulista. Com a ajuda de um amigo, Lenk lutou contra o fogo utilizando apenas ferramentas improvisadas, mas sem sucesso. A falta de recursos e o grande número de focos de incêndio obrigaram as autoridades a priorizar áreas mais sensíveis, deixando muitas regiões desprotegidas.
Enquanto isso, moradores como Eliane Pires, de 54 anos, enfrentam a tensão de ver suas famílias expostas ao perigo. Após um dia de trabalho, Pires só queria chegar em casa para verificar se suas filhas e netas estavam seguras, apesar da fumaça densa que cobria a região. Assim como ela, milhares de pessoas na Grande São Paulo lidam com os impactos diretos da crise ambiental, sem perspectiva de uma solução imediata.
A situação se agrava com a previsão de que 2024 se torne o pior ano de queimadas em São Paulo, superando o recorde de 2010. O estado caminha para registrar mais de 7.291 focos de incêndio, consolidando uma crise que afeta não apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública de milhões de moradores.
Cinco cidades de São Paulo enfrentam incêndios em andamento
A Defesa Civil do estado de São Paulo informou, nesta segunda-feira (16), que cinco municípios estão enfrentando incêndios ativos. As cidades de Bananal, Mococa, Tapiratiba, Itirapuã e Castilho são as áreas afetadas, onde as chamas continuam a se alastrar. Para combater os focos de incêndio, dez aeronaves estão auxiliando os esforços da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Seis dessas aeronaves são de asa fixa, e as outras quatro são de asa rotativa, divididas entre os municípios atingidos para melhorar a eficiência no controle das chamas.
Os incêndios que atingem essas cidades refletem a alta incidência de queimadas na região, intensificadas por condições climáticas adversas. O uso de aeronaves tem sido fundamental para alcançar áreas de difícil acesso, ampliando a capacidade de combate ao fogo. O trabalho conjunto das equipes em solo e das aeronaves busca controlar as chamas e evitar que os incêndios se espalhem ainda mais. As autoridades locais mantêm o monitoramento constante da situação, priorizando áreas mais críticas, a fim de minimizar os danos ambientais e riscos à população.
Paralelamente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) divulgou um boletim sobre a qualidade do ar nas regiões afetadas. A dispersão de poluentes nos próximos dias deverá ser facilitada pelas condições meteorológicas favoráveis nas regiões de Campinas, norte e centro-oeste do estado, onde a qualidade do ar oscila entre boa e moderada. Na capital paulista, a qualidade do ar está classificada como boa, com previsão de chuvas esparsas e ventilação, o que pode ajudar a manter os níveis de poluentes mais baixos.
A capital de São Paulo, hoje, amanheceu sob céu encoberto, com registros de chuva leve a moderada. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) informou que as temperaturas variaram entre 13°C na zona sul e 17°C na zona leste. A umidade relativa do ar nas áreas monitoradas chegou a 100%, favorecendo a dispersão de poluentes e melhorando a qualidade do ar. No entanto, o volume de chuvas acumulado até o momento é significativamente inferior à média histórica do mês de setembro, com apenas 3,9 mm registrados, o que corresponde a 5,7% dos 68,5 mm esperados.
As instabilidades climáticas que se deslocaram do Paraná para São Paulo contribuíram para as condições chuvosas que permaneceram durante toda a manhã. A previsão é de que a chuva diminua gradualmente à tarde, com temperatura máxima de 18°C e mínima de 14°C. Nos próximos dias, as condições meteorológicas deverão permanecer instáveis, com umidade elevada e temperaturas amenas. Para terça-feira (17), o céu deverá continuar encoberto, com chuvas esparsas e temperaturas variando entre 14°C e 18°C. Na quarta-feira (18), espera-se um dia de muitas nuvens, com pancadas de chuva isoladas e rápidas, e termômetros oscilando entre 14°C e 22°C.
*Com informações da DW e Agência Brasil.
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