O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um alerta contundente sobre o cenário global durante a abertura do debate geral da 79ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (24/09/2024). Em seu discurso, Guterres destacou a necessidade urgente de cooperação internacional para enfrentar os desafios da impunidade, das desigualdades crescentes e das ameaças à estabilidade global. Ele descreveu o momento atual como um “turbilhão”, marcado por divisões geopolíticas, conflitos prolongados e as graves ameaças representadas pelas mudanças climáticas e pelo avanço tecnológico descontrolado. Segundo ele, embora a situação seja insustentável, os problemas enfrentados podem ser resolvidos.
Guterres expressou preocupação com o aumento da impunidade no cenário internacional, afirmando que “o nível de impunidade no mundo é politicamente indefensável e moralmente intolerável”. Ele condenou as violações ao direito internacional e aos direitos humanos, que têm se tornado cada vez mais frequentes. Segundo ele, essas violações ameaçam as bases do direito internacional e da Carta da ONU, alertando que alguns países sentem-se livres para desrespeitar acordos sem sofrer consequências. O secretário-geral ressaltou a importância de reafirmar a Carta das Nações Unidas, respeitar o direito internacional e fortalecer os direitos humanos, mencionando a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio, como no Líbano e Gaza, que têm causado a morte de civis e trabalhadores humanitários.
Sobre desigualdade, Guterres destacou que a disparidade de riqueza aumentou drasticamente desde a pandemia, com os mais ricos acumulando fortunas enquanto os mais pobres enfrentam dificuldades crescentes. Ele defendeu reformas nas instituições financeiras internacionais, de forma a apoiar melhor os países em desenvolvimento. Guterres também enfatizou a necessidade de igualdade de gênero, sublinhando a discriminação enfrentada por mulheres e meninas, que têm sido afetadas de forma desproporcional. Segundo ele, apenas 10% dos líderes que discursam nesta Assembleia são mulheres, o que demonstra o quanto ainda há a ser feito para alcançar a paridade de gênero.
Guterres também alertou para as consequências da crise climática descontrolada, afirmando que ela representa uma ameaça existencial. Ele pediu que os países adotem planos de ação climática que estejam em conformidade com o Acordo de Paris, com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC. O secretário-geral destacou a necessidade de uma transição justa para a energia renovável, apontando que os países desenvolvidos devem liderar esse processo, oferecendo financiamento e apoio às nações em desenvolvimento.
Os avanços da inteligência artificial foram outro ponto abordado por Guterres, que advertiu sobre o potencial da tecnologia de agravar as divisões e desigualdades globais, caso não haja uma regulamentação internacional adequada. O secretário-geral encerrou seu discurso com uma mensagem de esperança, afirmando que um futuro sustentável ainda é possível, desde que as nações trabalhem juntas para construir um mundo com mais justiça e oportunidades para todos. Ele reforçou que a população global espera que os líderes mundiais ajam de forma decisiva em prol do bem comum.
Philemon Yang, presidente da 79ª sessão da Assembleia Geral, também falou sobre a importância da ação imediata por parte dos líderes mundiais. Yang afirmou que os presentes na Assembleia “não são espectadores passivos das crises globais”, mas têm a responsabilidade de moldar o futuro. Ele chamou atenção para questões cruciais, como a resistência antimicrobiana, a elevação do nível do mar e a eliminação de armas nucleares. Em referência à escalada do conflito no Oriente Médio, Yang pediu um cessar-fogo em Gaza, a libertação de reféns e o respeito ao direito internacional para garantir a dignidade tanto de palestinos quanto de israelenses.
*Com informações da ONU News.








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