A taxa de desemprego no Brasil atingiu 6,8% no trimestre encerrado em julho de 2023, a menor desde o trimestre finalizado em dezembro de 2014, quando foi registrada em 6,6%. Além disso, essa é a menor taxa para um trimestre encerrado em julho desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30/08/2024).
A redução da taxa de desemprego foi influenciada tanto pela queda na população desocupada quanto pelo aumento na população ocupada. O número de desocupados, que corresponde às pessoas em busca de emprego, recuou 9,5% em comparação ao trimestre anterior e 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 7,4 milhões de pessoas, o menor nível desde o início da série histórica para o período.
Simultaneamente, a população ocupada, ou seja, aquela que está efetivamente trabalhando, atingiu 102 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado para o trimestre encerrado em julho. Isso representa um crescimento de 1,2% no trimestre, com a adição de 1,2 milhão de trabalhadores, e um aumento de 2,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, com mais 2,7 milhões de pessoas ocupadas.
O nível de ocupação, que mede o percentual de pessoas empregadas em relação ao total de indivíduos em idade de trabalhar, subiu para 57,9%, um avanço tanto em relação ao trimestre anterior (57,3%) quanto ao mesmo período do ano passado (56,9%).
Segundo o IBGE, o crescimento da população ocupada foi impulsionado, em parte, pelo setor informal. O número de trabalhadores informais alcançou 39,45 milhões no trimestre encerrado em julho, o segundo maior nível da série histórica, ficando atrás apenas do registrado em dezembro de 2022, com 39,53 milhões. Em comparação com o trimestre anterior, o número de informais cresceu 1,1%, e em relação ao mesmo período de 2022, houve um aumento de 1,3%.
Apesar do aumento da informalidade, a maior parte dos novos postos de trabalho criados em julho ocorreu no emprego formal, seja por meio de empregos públicos, ocupações no setor privado com carteira assinada ou trabalho por conta própria com registro no CNPJ. De acordo com Adriana Beringuy, pesquisadora do IBGE, essa expansão do emprego formal reflete uma melhora na qualidade do mercado de trabalho.
A carteira de trabalho assinada proporciona uma série de direitos e garantias para o trabalhador. Mesmo os trabalhadores independentes ou empregadores que possuem registro no CNPJ conseguem melhores condições para atuar no mercado, como a emissão de notas fiscais e a contratação como prestadores de serviço.
Os setores que mais contribuíram para a criação de novos postos de trabalho em comparação com o trimestre anterior foram administração pública, saúde e educação (com crescimento de 3,2%) e comércio (1,9%). Nenhuma atividade apresentou perda significativa no número de ocupados.
Adriana Beringuy apontou que uma das razões para a melhora no mercado de trabalho é o aumento da renda dos trabalhadores, que impulsiona o consumo e, consequentemente, a demanda por mais mão de obra.
Embora o rendimento médio real habitual dos trabalhadores não tenha crescido no trimestre, ele registrou um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 3.206. A massa de rendimento real habitual cresceu 7,9% em relação ao ano anterior, atingindo R$ 322,4 bilhões. Como o número de ocupados aumentou no trimestre, a massa salarial também cresceu 1,9% no período.
*Com informações da Agência Brasil.








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