O Banco Mundial revisou suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e de outras economias da América Latina. De acordo com o relatório de Perspectivas Econômicas Globais divulgado em 9 de outubro de 2024, a instituição elevou a estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2024 de 2% para 2,8%. Essa projeção, entretanto, permanece abaixo da previsão do Ministério da Fazenda, que espera uma alta de 3,2%, e da média de 3% calculada pelo mercado, conforme o Boletim Focus.
Para 2025, a projeção do Banco Mundial para o Brasil indica um crescimento de 2,2%. A instituição ressalta que a América Latina e o Caribe devem apresentar crescimento modesto, com uma expansão de 1,9% em 2024 e de 2,6% no ano seguinte. Estas são as menores taxas de crescimento entre todas as regiões globais, reflexo de persistentes gargalos estruturais que limitam o avanço econômico da região.
Perspectivas para a Argentina e Haiti
A Argentina e o Haiti destacam-se negativamente nas previsões do Banco Mundial, sendo os dois únicos países da região que devem registrar retração econômica em 2024. A economia argentina, em particular, enfrenta uma contração de 3,5%, maior do que a estimada anteriormente, que era de 2,8%. Para o Haiti, a expectativa é de uma retração ainda mais acentuada, de 4,2%.
Entretanto, o Banco Mundial prevê uma recuperação significativa para a Argentina nos próximos dois anos. A expectativa é de que o país cresça 5% em 2025 e 4,7% em 2026, impulsionado por ajustes fiscais rigorosos e políticas monetárias que buscam estabilizar a economia.
Desafios e Oportunidades para o Brasil
O economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, William Maloney, expressou preocupações em relação à trajetória fiscal do Brasil, particularmente no que diz respeito aos gastos com a Previdência Social. Maloney argumenta que, com o envelhecimento da população brasileira, o aumento desses gastos pode pressionar ainda mais a dívida pública, que já apresentou crescimento nos últimos anos. Ele afirmou que seria desejável que o Brasil adotasse medidas para reverter essa tendência de aumento da dívida pública.
O Banco Mundial avalia que a política de redução das taxas de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, pode representar um alívio para as economias latino-americanas, incluindo o Brasil, ao facilitar o acesso a crédito e reduzir as pressões inflacionárias.
Impactos das Medidas Econômicas na Argentina
No caso da Argentina, Maloney considerou que as medidas fiscais adotadas pelo presidente Javier Milei, embora controversas e responsáveis por agravar a crise social, eram necessárias para estabilizar a economia. Uma das principais conquistas apontadas pelo Banco Mundial foi a redução da inflação mensal de 25% para 4%, algo que permitiu ao governo argentino começar a ajustar as contas fiscais e implementar uma política monetária mais coerente.
Maloney também destacou sinais de recuperação em setores estratégicos da economia argentina, como o automotivo e o imobiliário, embora a economia do país ainda enfrente desafios severos, como a inflação anual de 236,7% e a elevada taxa de pobreza, que afeta metade da população.
Recomendações Fiscais para a América Latina
O relatório do Banco Mundial também abordou a discussão sobre propostas de taxação dos chamados “super-ricos”. O Brasil, na condição de presidente do G20 em 2024, propôs a criação de um imposto global sobre bilionários, com o objetivo de aumentar os recursos para combater a pobreza e enfrentar as mudanças climáticas. O Banco Mundial, no entanto, sugeriu que a América Latina poderia se beneficiar mais de um aumento da taxação sobre a propriedade. A instituição argumenta que, na região, a maior parte da riqueza está concentrada em bens imóveis, e os impostos sobre propriedade são relativamente baixos em comparação com a média mundial.
Maloney reforçou que, embora a região tenha um número reduzido de bilionários em comparação com outras partes do mundo, a taxação da propriedade poderia representar uma solução viável para tornar os sistemas fiscais mais progressivos e ampliar a arrecadação sem afetar significativamente a mobilidade de capital.
*Com informações do Jornal O Globo.










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