No dia 23 de outubro de 2024, em Kazan, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participou da cúpula de líderes do BRICS, onde abordou questões relevantes sobre a posição do Brasil no agrupamento. Após a publicação da declaração final do encontro, Vieira reafirmou seu compromisso com a organização e enfatizou a importância de uma presidência brasileira ativa em 2025.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Vieira expressou determinação em engajar-se plenamente nas atividades do BRICS, destacando que “o nível de engajamento será total”. O ministro mencionou a intenção de desenvolver iniciativas significativas durante a presidência brasileira, incluindo a implementação de um sistema de pagamento internacional entre os países do BRICS, uma proposta que visa reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais.
Mauro Vieira observou que o Brasil possui experiência na celebração de acordos que permitem a realização de comércio sem a utilização da moeda norte-americana, um tema que também foi abordado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso na reunião dos líderes do BRICS.
O ministro ressaltou a composição da delegação brasileira na cúpula, que, apesar da ausência do presidente Lula, permaneceu robusta. Vieira refutou a ideia de que a quantidade reduzida de representantes indicaria um desinteresse do Brasil em se engajar com o BRICS.
“A delegação brasileira é substantiva, formada pelos sherpas e vice-sherpas brasileiros, o embaixador do Brasil em Moscou, além de outros funcionários do Itamaraty. Trata-se de uma delegação grande e representativa, como sempre foi em todas as reuniões do BRICS”, afirmou.
Além de discutir o papel do Brasil no grupo, Vieira mencionou a ampliação do BRICS, um dos eventos mais esperados da cúpula. A criação de uma nova categoria de países parceiros foi um dos tópicos centrais nas negociações. O ministro explicou que houve consenso sobre os princípios que orientarão essa expansão, incluindo o apoio à reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a rejeição a sanções econômicas unilaterais.
“O Brasil é contra as sanções unilaterais de qualquer país que seja. Nós só aceitamos as sanções que são aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Já as sanções unilaterais, nós somos totalmente contrários”, destacou Vieira. A adesão à reforma da governança global foi identificada como um passo necessário para a transformação de instituições financeiras internacionais.
Em relação à situação no Oriente Médio, Vieira abordou a postura do Brasil diante do conflito em Gaza e a posição do governo brasileiro sobre as ações militares de Israel. O chanceler enfatizou que, embora o governo condene tais ações, não há intenção de romper relações diplomáticas, acreditando que o diálogo é a melhor solução para evitar escaladas de tensão.
A cúpula também incluiu uma sessão de Outreach, onde países convidados como Turquia, Venezuela, Bolívia, Armênia e Azerbaijão participarão das discussões. O ministro Vieira planeja concluir sua missão em Kazan e seguir para Moscou, onde deve continuar as tratativas relacionadas ao BRICS.
*Com informações da Sputnik News.








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