O comissário-geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa), Philippe Lazzarini, descreveu a Faixa de Gaza como um “pesadelo sem fim” e um local inabitável. Em entrevista coletiva em Genebra, Lazzarini destacou o impacto devastador do conflito na população, que enfrenta diariamente doenças, mortes e fome. A situação tem afetado profundamente as crianças, com mais de 620 mil vivendo em condições traumáticas e sem perspectivas de um futuro melhor. A população de Gaza está confinada em 10% do território que antes ocupava, exacerbando os problemas de superlotação e falta de serviços básicos.
Lazzarini ressaltou que, apesar do ambiente de crise, a educação permanece como um dos poucos bens que não foi tirado da população palestina. A Unrwa tem priorizado esforços para retomar o processo educacional, com o objetivo de garantir que a leitura, escrita e aritmética básica continuem acessíveis às crianças da região. Segundo o comissário-geral, a educação deve ser uma prioridade coletiva para além das atividades de salvamento que estão sendo implementadas.
A situação sanitária em Gaza é outro fator de preocupação. A Unrwa alertou recentemente para o acúmulo de lixo nas áreas centrais, com esgoto vazando para as ruas, expondo a população ao risco de surtos de doenças, como a poliomielite. Famílias vivem ao lado de montanhas de resíduos, enfrentando o mau cheiro e o risco de um desastre de saúde pública. Lazzarini destacou que essas condições explicam a facilidade com que doenças podem se propagar no enclave.
Além da situação em Gaza, Lazzarini mencionou o trabalho da Unrwa no Líbano, onde a agência abriga cerca de 3,5 mil pessoas em nove locais diferentes, incluindo refugiados palestinos, sírios e libaneses. A Unrwa também enfrenta dificuldades no Território Palestino Ocupado, onde seu espaço de atuação tem sido reduzido por ameaças e medidas legislativas. Lazzarini alertou para o risco de um Estado-membro da ONU rotular a agência, que tem mandato definido pela Assembleia Geral, como uma organização terrorista, o que, segundo ele, pode enfraquecer os instrumentos coletivos do sistema multilateral.
*Com informações da ONU News.








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