Nesta quarta-feira (16/10/2024), o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou uma sessão para debater a escalada do conflito na Faixa de Gaza e as consequências humanitárias das operações militares em andamento. A subsecretária-geral interina de Assistência Humanitária, Joyce Msuya, relatou que, na última semana, mais de 400 palestinos foram mortos e cerca de 1,5 mil ficaram feridos devido aos ataques aéreos israelenses. O aumento das hostilidades tem agravado a situação humanitária na região, com milhares de civis deslocados e infraestrutura essencial danificada.
Durante a sessão, Msuya descreveu o cenário crítico enfrentado pelos civis, mencionando relatos de pacientes e deslocados abrigados nos arredores do hospital Al Aqsa. Segundo ela, alguns ficaram “queimados vivos” em meio aos ataques, enquanto dezenas de outras vítimas, incluindo mulheres e crianças, necessitam de cuidados médicos urgentes para tratar os ferimentos. A representante da ONU apelou por uma ação imediata para responsabilizar os autores de crimes cometidos na região e exigiu um compromisso concreto, além de declarações diplomáticas, para acabar com as atrocidades e garantir o respeito ao direito internacional.
Msuya também destacou a necessidade de esforços diplomáticos da comunidade internacional para alcançar um cessar-fogo imediato e estabelecer um caminho em direção a uma paz duradoura. Segundo dados do Escritório da ONU de Assistência Humanitária (OCHA), as condições de vida na Faixa de Gaza se deterioraram significativamente, com restrições severas ao fluxo de ajuda e alimentos, agravando a escassez de suprimentos essenciais.
Nas duas primeiras semanas de outubro, as autoridades israelenses permitiram apenas 54 transferências humanitárias coordenadas para o norte da Faixa de Gaza através do posto de controle de Al Rashid, com aproximadamente 85% das solicitações sendo negadas ou adiadas por questões logísticas e de segurança. Para mitigar a situação, o OCHA e parceiros distribuíram mais de 1,5 mil pacotes de alimentos e sacos de farinha para deslocados abrigados em escolas em Beit Hanoun e Beit Lahya.
A situação de abastecimento continua crítica, com muitas padarias enfrentando o risco de fechamento devido à falta de combustível. Na Cidade de Gaza, 110 mil refeições são distribuídas diariamente por cerca de 10 cozinhas comunitárias, que estão sobrecarregadas pela demanda crescente. Uma nova instalação foi aberta no acampamento de refugiados de Ash Shati para atender ao fluxo de deslocados oriundos do norte.
*Com informações da ONU News.








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