A disputa pela presidência do Partido dos Trabalhadores (PT) tem revelado um profundo racha dentro da corrente majoritária da legenda, a Construindo um Novo Brasil (CNB). A CNB, que historicamente controla a direção nacional do partido e a maioria dos diretórios estaduais, vive agora um embate interno entre dois grupos de liderança.
De um lado, está Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, apoiado por figuras influentes como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o ministro do Trabalho Luiz Marinho e o ministro de Relações Institucionais Alexandre Padilha. Esse bloco tenta consolidar a continuidade de seu poder dentro do partido, promovendo uma candidatura forte para a presidência da sigla.
Por outro lado, José Guimarães, deputado federal pelo Ceará, desponta como o candidato do grupo de oposição, que conta com o apoio da atual presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Este grupo, apelidado de “grupo nordestino”, busca aumentar sua influência interna, embora não tenha conseguido angariar o apoio de figuras de peso da região, como os senadores Jaques Wagner (Bahia) e Camilo Santana (Ceará), ambos ex-governadores.
O ponto de maior atrito entre os dois blocos gira em torno da possibilidade de antecipação das eleições internas do PT, previstas inicialmente para maio de 2025. A questão foi levantada publicamente pelo próprio Lula, que, durante uma reunião realizada logo após o primeiro turno das eleições municipais, questionou a atual presidente Gleisi Hoffmann sobre a necessidade de manter o calendário original.
“Por que a eleição tem que ser no meio do ano? Não dá para antecipar?”, perguntou o ex-presidente, expondo a discussão a todos os presentes.
A antecipação das eleições é vista como uma estratégia para acelerar a transição de poder dentro da CNB e consolidar a nova liderança, seja ela de Edinho Silva ou de José Guimarães. O processo de sucessão interna no PT, contudo, também reflete a complexidade de manter unida uma corrente que, por muitos anos, centralizou as decisões partidárias.
Essa divisão interna coloca em evidência a dificuldade do partido em alinhar interesses regionais e nacionais, sobretudo num cenário político em que o PT precisa se reorganizar para enfrentar os desafios eleitorais e governamentais que surgem em 2024. A direção que o partido tomará nos próximos meses poderá influenciar não apenas sua estrutura interna, mas também sua capacidade de articulação política com outros partidos e movimentos sociais.
Além da disputa pela presidência do PT, há a preocupação em entender os resultados eleitorais recentes, como a derrota do partido em redutos considerados estratégicos, como Araraquara, onde Edinho Silva não conseguiu reeleger seu sucessor. Pesquisas internas têm sido realizadas para avaliar as causas dessas derrotas e como elas podem impactar a influência da CNB na condução do partido nos próximos anos.
*Com informações do Jornal O Globo.










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