Pesquisadoras do Colégio Estadual Professor Carlos Valadares, em Santa Bárbara, Bahia, desenvolveram velas aromáticas utilizando maracujá do mato, fruto nativo da região. O projeto, conduzido por Kelly dos Anjos e Maria Clara Oliveira, busca criar uma alternativa sustentável e valorizar ingredientes locais. As velas são produzidas a partir do maracujá da caatinga, uma fruta conhecida por suas propriedades medicinais, e têm como objetivo não apenas evitar o desperdício da fruta, mas também promover o comércio local. As jovens cientistas destacam que a iniciativa integra a cultura maker, incentivando a prática do “faça você mesmo” e estimulando a economia da comunidade por meio do desenvolvimento de produtos artesanais.
A pesquisa faz parte do Programa Ciência na Escola, iniciativa da Secretaria da Educação da Bahia, e conta com a orientação da professora Hevelynn Martins, que foi responsável por introduzir o curso de velas artesanais no currículo das estudantes. A proposta tem como objetivo criar produtos que não apenas utilizem matérias-primas regionais, mas também contribuam para a preservação ambiental. O maracujá do mato, que tem um aroma mais suave e fresco que o maracujá comum, foi escolhido como ingrediente principal devido aos seus benefícios aromáticos, que proporcionam relaxamento. A estudante Maria Clara Oliveira destaca que, além de ser uma alternativa sustentável, o projeto visa popularizar a receita das velas para que outros moradores da região também possam produzir e comercializar o produto, fortalecendo o comércio local.
As pesquisadoras também estão em fase de avaliação de novas matérias-primas nativas do Nordeste da Bahia que possam ser incorporadas na produção das velas aromáticas. O principal critério para a escolha dos ingredientes é que sejam sustentáveis e tenham propriedades medicinais e aromáticas. Entre os materiais utilizados na fabricação das velas estão a parafina, a glicerina extraída do óleo de licuri e um componente aromático suave. A glicerina de licuri é fornecida por colegas que fabricam biocombustível a partir do licuri, um fruto típico da região. A escolha desses materiais reflete a preocupação das pesquisadoras em criar produtos que não causem impacto negativo ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que promovem o uso de recursos locais.
Além do impacto ambiental, o projeto também se propõe a contribuir com o desenvolvimento socioeconômico da comunidade de Santa Bárbara. O incentivo à produção artesanal e o compartilhamento das instruções para a fabricação das velas estimulam o empreendedorismo e a inovação local. Para as jovens cientistas, o projeto representa não apenas uma oportunidade de aprendizado, mas também uma forma de fortalecer a colaboração entre os moradores, valorizando a biodiversidade da região e gerando novas oportunidades de negócios. A cultura maker promovida pelo projeto cria um ambiente de aprendizado dinâmico e interativo, essencial para o crescimento da comunidade e para a consolidação de práticas sustentáveis.
As pesquisadoras continuam a aprimorar suas técnicas e a explorar novas possibilidades para a produção de velas com outros ingredientes nativos. O projeto, além de representar uma contribuição para o avanço científico na região, também reforça a importância da educação e da inovação como ferramentas para o desenvolvimento sustentável e para a preservação dos recursos naturais.








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