EUA e Israel adotam estratégia de pressão no Oriente Médio para fragilizar Hezbollah e eleger novo presidente libanês

Confrontos entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano incluem incursão de tanques em base da ONU, intensificando a crise na região.
Confrontos entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano incluem incursão de tanques em base da ONU, intensificando a crise na região.

O Hezbollah, movimento xiita libanês apoiado pelo Irã, realizou novos ataques nesta segunda-feira (14/10/2024) contra uma base militar israelense ao norte de Tel Aviv, ampliando as tensões na região. A ofensiva ocorre em meio a uma complexa estratégia dos Estados Unidos, que visa pressionar Israel a moderar suas ações, enfraquecer o Hezbollah e promover a eleição de um novo presidente no Líbano, que enfrenta uma prolongada crise política.

Desde o início da incursão terrestre de Israel no Líbano, que avança para três quilômetros além da fronteira, os Estados Unidos têm incentivado a busca por uma solução diplomática. Em diálogo recente, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, instou o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, a encerrar a operação militar o mais rapidamente possível, a fim de minimizar as críticas internacionais e os riscos de escalada. No entanto, ataques contínuos, como o ocorrido no domingo (13), que resultou na morte de quatro soldados israelenses e em 60 feridos em uma base militar ao sul de Haifa, indicam o aprofundamento das hostilidades.

A política de Washington para a região inclui também um esforço para desestabilizar o Hezbollah, organização considerada uma ameaça estratégica por Israel e seus aliados. Segundo fontes diplomáticas, os Estados Unidos veem o atual contexto como uma oportunidade para debilitar a influência do grupo no Líbano e, assim, criar condições favoráveis para a eleição de um novo presidente, cargo vago desde outubro de 2022, quando expirou o mandato de Michel Aoun. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, liderou conversas com líderes de países como Arábia Saudita, Egito e Catar, buscando apoio para superar o impasse político e viabilizar a sucessão presidencial no país.

Por outro lado, os países árabes têm demonstrado cautela em relação ao apoio à estratégia de enfraquecimento do Hezbollah, alertando para o risco de uma nova guerra civil no Líbano e para a complexidade de obter apoio interno para tal agenda, especialmente se houver alinhamento com os interesses israelenses. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou uma postura firme, afirmando que o Líbano foi “sequestrado pelo Hezbollah” e incentivando os libaneses a retomar o controle do país.

A recente escalada também envolveu incidentes com a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil). Durante confrontos entre Israel e Hezbollah, três soldados da ONU ficaram feridos, levando à condenação internacional. Em resposta, Israel afirmou que o Hezbollah utiliza posições próximas às forças de paz como escudo para suas operações, e o primeiro-ministro Netanyahu pediu a retirada das tropas da Unifil das áreas de combate.

Além dos enfrentamentos diretos, episódios como a entrada de tanques israelenses em uma base da Unifil e a liberação de gás lacrimogêneo próximo ao local contribuíram para o aumento das tensões. Israel afirmou que os incidentes estão sendo investigados e que não houve ordens específicas para pressionar as forças de paz a deixar a região.

Israel e Hezbollah intensificam conflito no Sul do Líbano com incidente envolvendo forças da ONU

No domingo (13/10/2024), confrontos se intensificaram entre o Hezbollah e as forças israelenses em vilarejos no sul do Líbano. O movimento libanês, apoiado pelo Irã, relatou que seus combatentes enfrentavam as tropas de Israel utilizando armas automáticas e foguetes. Israel confirmou a captura de um miliciano do Hezbollah durante operações na região, onde foram descobertos túneis próximos à fronteira. Em um incidente paralelo, tanques israelenses forçaram a entrada em uma base da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), permanecendo no local por 45 minutos.

As autoridades israelenses declararam que não permitirão o retorno dos combatentes do Hezbollah às posições próximas à fronteira, mesmo após a retirada de suas próprias tropas. O ministro da Defesa, Yoav Gallant, reforçou o compromisso de Israel de evitar a retomada de posições pelo Hezbollah na zona de conflito.

O Exército israelense anunciou a descoberta de um túnel em um prédio no sul do Líbano, onde um combatente do Hezbollah estava instalado com armas e equipamentos. O miliciano foi capturado sem resistência e transferido para um centro de detenção em Israel. Imagens divulgadas pelas forças armadas mostram o momento em que o combatente emergiu do túnel sob ordens dos soldados israelenses.

A operação terrestre de Israel no sul do Líbano, iniciada em 30 de setembro, inclui bombardeios seletivos em áreas fronteiriças. A descoberta de túneis, alguns com mais de 25 metros de extensão e direcionados ao território israelense, evidencia o desafio contínuo de segurança na região.

A UNIFIL relatou que os tanques israelenses invadiram uma de suas posições às 4h30 da manhã de domingo, destruindo o portão principal e permanecendo no local por 45 minutos. Mais tarde, disparos resultaram na emissão de fumaça que causou irritações cutâneas e problemas gastrointestinais em 15 soldados da ONU, que receberam atendimento médico. O incidente ocorreu em meio a intensos combates na área, que continua sendo um foco de tensão entre Israel e o Hezbollah.

*Com informações da RFI.


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