O Irã intensificou suas ameaças a Israel nos últimos dias, prometendo uma resposta significativa caso as forças israelenses revidem os ataques realizados em outubro. Em 1º de outubro de 2024, o país lançou 200 mísseis em direção a Israel em retaliação aos assassinatos de figuras proeminentes do regime iraniano, incluindo o general Abbas Nilforushan e o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, mortos em Beirute. O ataque foi uma resposta direta ao assassinato de Ismail Haniyeh, chefe político do Hamas, ocorrido em uma visita a Teerã em julho.
Em contrapartida, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou uma resposta “mortal, precisa e surpreendente” a quaisquer provocações. Hosein Salami, chefe da Guarda Revolucionária do Irã, alertou que seu país retaliará com um ataque “doloroso” se Israel cumprir suas ameaças. O chefe do Estado-Maior do Exército iraniano, Mohamad Baqeri, fez declarações contundentes sobre a existência de Israel, referindo-se ao país como um “tumor cancerígeno”.
O Irã não reconhece Israel desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o regime do xá apoiado pelos Estados Unidos. Desde então, a questão palestina tornou-se um dos pilares da política externa iraniana. O Hamas e o Hezbollah, que compõem o chamado “eixo da resistência”, são formados por grupos armados que recebem apoio do Irã.
Apesar das ameaças de confrontação, o Irã também busca a diplomacia como meio de evitar um conflito regional. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, iniciou uma série de visitas a várias capitais com o intuito de impedir a escalada das hostilidades. Em duas semanas, Araqchi visitou nove países e se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, enfatizando a necessidade de diálogo e cooperação.
Ahmad Zeidabadi, especialista em relações internacionais, afirmou que as posturas do Irã não são contraditórias, mas sim complementares. Araqchi afirmou que o Irã está “totalmente preparado para a guerra” enquanto, ao mesmo tempo, busca a “desescalada”. Essa dualidade é uma estratégia complexa que reflete as tensões na região e a intenção de Teerã em se manter relevante na política do Oriente Médio.
Durante suas visitas, Araqchi esteve em Beirute uma semana após a morte de Nasrallah e, posteriormente, em Damasco, onde se encontrou com o presidente sírio Bashar al-Assad. Essas reuniões permitiram que o Irã reafirmasse seu apoio a seus aliados no eixo da resistência. Além disso, Araqchi se reuniu com líderes da Arábia Saudita, Catar, Iraque, Omã, Jordânia e Egito, buscando reafirmar suas intenções de manter relações pacíficas e cooperativas com esses países.
Essas iniciativas visam, segundo analistas, transmitir uma mensagem mista de alerta e garantia aos países do Golfo. Ao mesmo tempo, o Irã se esforça para solidificar seus laços com aliados e impedir que os países árabes se aproximem de Israel, que normalizou relações com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos por meio dos Acordos de Abraão de 2020.
A situação se intensificou com as declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que acusou aliados do Irã de tentativas de assassinato. Netanyahu afirmou que qualquer agressão contra cidadãos israelenses resultará em um “alto preço” para os responsáveis.
Recentemente, o exército israelense divulgou um vídeo do líder do Hamas, Yahya Sinwar, que mostra suas atividades em Gaza antes do ataque em 7 de outubro, revelando os preparativos do movimento islamista. As autoridades israelenses anunciaram a morte de Sinwar um dia após sua divulgação, evidenciando a continuidade do conflito na região.
*Com informações da RFI.
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