Em visita a Paris, na última quinta-feira (10/10/2024), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, descartou a possibilidade de cessar-fogo nas negociações com a Rússia. Zelensky reafirmou a necessidade de continuidade dos ataques ao território russo com o uso de armas de longo alcance, durante encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron. A viagem faz parte de um esforço do líder ucraniano para garantir o apoio de seus aliados europeus, em meio à invasão russa e ao avanço das tropas russas no leste da Ucrânia.
Zelensky destacou que o cessar-fogo não foi discutido durante a reunião e classificou as notícias sobre o tema como falsas, geradas pela Rússia. Ele voltou a pedir um aumento rápido da ajuda militar ocidental antes da chegada do inverno no hemisfério norte, reiterando que a Ucrânia só pode negociar em uma posição de força. Macron assegurou que a França continua a apoiar a Ucrânia com a formação e o equipamento de suas forças.
A viagem de Zelensky também inclui visitas a Roma e Berlim, onde será recebido pelo chanceler alemão Olaf Scholz. O presidente ucraniano busca consolidar o apoio militar e financeiro ocidental, especialmente diante das incertezas provocadas pelas eleições presidenciais americanas, previstas para ocorrer em breve. Há receios de que a vitória de Donald Trump possa enfraquecer o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. No entanto, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, minimizou os impactos de uma possível vitória de Trump, afirmando que o compromisso dos Estados Unidos com a Ucrânia deve continuar.
Em Londres, antes de sua chegada a Paris, Zelensky apresentou seu “plano de vitória” ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e ao secretário-geral da Otan. O plano, que ainda será detalhado em uma conferência de paz prevista para novembro, busca criar condições para o fim do conflito em uma posição favorável à Ucrânia. O líder ucraniano voltou a solicitar o uso de mísseis de longo alcance, como os Storm Shadow, fornecidos pelo Reino Unido, para atingir alvos dentro do território russo.
Entretanto, Mark Rutte alertou para a necessidade de não se concentrar em um único sistema de armas, destacando que nenhum deles faria uma diferença decisiva. O Reino Unido tem sido um dos principais aliados da Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, e reiterou seu apoio incondicional durante a visita de Zelensky.
Na sexta-feira, o presidente ucraniano seguirá para Berlim, onde será discutido o corte de 50% da ajuda militar bilateral à Ucrânia pelo governo alemão em 2025. O instituto de pesquisa Kiel Institute advertiu sobre uma provável queda na ajuda ocidental no próximo ano, caso a vitória de Donald Trump se concretize e o apoio do Congresso americano seja reduzido. O instituto projeta que, sem novos compromissos, a ajuda militar e financeira à Ucrânia pode cair para metade dos níveis atuais, impactando diretamente a capacidade de resistência ucraniana.
Enquanto isso, as forças russas continuam avançando na região de Donetsk, atingindo posições estratégicas e ameaçando centros logísticos vitais para a defesa ucraniana.
Zelensky reitera pedido por armamento durante visitas a aliados europeus
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, realiza uma série de visitas a líderes europeus, incluindo paradas em Londres, Paris, Roma e Berlim, na tentativa de fortalecer o apoio militar à Ucrânia em meio ao conflito com a Rússia. A sequência de encontros ocorre em um contexto de crescente pressão sobre as forças armadas ucranianas nas frentes leste e sul, onde as autoridades admitem dificuldades operacionais. Durante sua visita à base aérea americana de Ramstein, Zelensky havia planejado um encontro com chefes de Estado e de governo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que foi cancelado devido ao furacão Milton.
Em suas reuniões, Zelensky apresentou seu “plano de vitória”, que busca a ampliação da assistência militar ocidental, incluindo o fornecimento de armamentos de longo alcance. O chanceler alemão Olaf Scholz, alinhado ao governo Biden, manifestou sua recusa em apoiar a utilização de armas de cruzeiro Taurus em território russo, afirmando que a Alemanha possui razões para tal decisão. A postura de Scholz é criticada por membros da oposição alemã, que consideram a resistência à entrega de armamentos como um erro estratégico. Enquanto isso, a situação no campo de batalha não apresenta avanços significativos para a Ucrânia, que enfrenta uma nova fase defensiva.
A reação negativa à assistência militar entre alguns partidos na Alemanha reflete um crescente cansaço da guerra. Os resultados das eleições estaduais recentes mostraram um aumento no apoio a partidos que desejam limitar ou interromper a ajuda à Ucrânia. Além disso, as incertezas em relação às próximas eleições presidenciais americanas levantam preocupações sobre a continuidade do apoio a Kiev, especialmente considerando declarações do ex-presidente Donald Trump, que sugeriu a retirada dos EUA do apoio militar à Ucrânia.
Neste contexto, Zelensky procura reforçar os laços com os aliados europeus, reconhecendo a importância da assistência externa para a sobrevivência da Ucrânia. A necessidade de um apoio coordenado e eficaz dos países ocidentais se torna evidente à medida que os desafios enfrentados pela Ucrânia no campo de batalha aumentam e as divisões políticas na Europa se tornam mais pronunciadas.
*Com informações da RFI e DW.
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