Rússia classifica bombardeios de Israel às forças de paz da ONU no Líbano como crime de guerra

Na quinta-feira (10/10/2024), o representante permanente da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasily Nebenzya, declarou que os bombardeios israelenses contra as forças de paz da ONU no Líbano configuram um crime de guerra. A declaração ocorreu durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, onde Nebenzya expressou apoio total às tropas atingidas. As forças de paz da ONU no Líbano relataram ataques a seu quartel-general e postos de controle, resultando em pelo menos dois soldados feridos devido a um bombardeio de um tanque israelense em um posto de observação. A maioria dos soldados feridos pertence à contingente italiano, levando a reações do governo em Roma.

Nebenzya afirmou que os pacificadores da ONU estão sendo alvos de ataques deliberados por parte de Israel, enfatizando a necessidade de uma resposta firme da comunidade internacional. A Rússia reiterou seu apoio à atuação das tropas da ONU e destacou a importância de garantir a segurança em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Durante a reunião, Nebenzya também comentou sobre a atual situação política, afirmando que Israel parece ter apostado todas as suas fichas em ataques na região, que já causaram milhares de mortes. Ele observou que os Estados Unidos estão “amarrados” pela campanha presidencial, o que influencia sua postura em relação ao conflito.

Além disso, o representante russo enfatizou que a principal meta do Conselho de Segurança deve ser o cessar-fogo na Faixa de Gaza, seguido pela desescalada da situação militar e política tanto no Líbano quanto no Oriente Médio em geral. Nebenzya afirmou que a Rússia está disposta a utilizar todos os recursos disponíveis no Conselho de Segurança para ajudar a resolver a crise, ao mesmo tempo em que expressou desconfiança em relação à disposição de alguns membros do conselho em agir de forma a não comprometer os interesses dos Estados Unidos.

Comissão da ONU acusa Israel de crime contra a humanidade na Faixa de Gaza

Em uma declaração divulgada na quinta-feira, 10 de outubro, a Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Território Palestino Ocupado afirmou que Israel cometeu um crime contra a humanidade em suas ações na Faixa de Gaza. O relatório elaborado pela comissão detalha que as Forças de Segurança israelenses foram responsáveis por ações deliberadas de homicídio, detenção e tortura de profissionais de saúde e veículos médicos enquanto restringiam o acesso à assistência médica para a população local. As atividades identificadas no documento configuram crimes de guerra, homicídio intencional, maus-tratos e destruição de propriedade civil protegida, bem como o crime contra a humanidade de extermínio.

Além das acusações contra Israel, o relatório conclui que grupos armados palestinos também têm praticado tortura em relação a prisioneiros. A comissão examinou o tratamento de detidos palestinos em Israel, assim como de reféns israelenses e estrangeiros em Gaza desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, e concluiu que tanto Israel quanto grupos armados palestinos são responsáveis por atos de tortura, além de violência sexual e de gênero.

O relatório também menciona o envolvimento do ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, que, segundo a comissão, ordenou pessoalmente a tortura de prisioneiros palestinos. A comissão enfatiza que os maus-tratos a detidos palestinos constituem uma prática institucionalizada e de longa data na ocupação, ocorrendo sob ordens diretas do ministro responsável pelo sistema prisional. As declarações do governo israelense que incitam violência e retaliação foram identificadas como um fator que alimenta essas práticas.

*Com informações da Sputnik News.


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