Sobe para três número de mortos após ação policial no Rio de Janeiro

O número de mortos após a operação da Polícia Militar na zona norte do Rio de Janeiro aumentou para três, com todas as vítimas apresentando ferimentos fatais na região da cabeça. A operação ocorreu na manhã desta quinta-feira (24/10/2024), no Complexo de Israel, localizado em Cordovil.

De acordo com informações da prefeitura de Duque de Caxias, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da direção do Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN), Geneilson Eustaque Ribeiro, de 49 anos, foi admitido na unidade às 10h46, após ser transferido do Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo. Ele apresentava uma perfuração por arma de fogo no crânio e seu estado era considerado gravíssimo. A equipe médica do HMAPN informou que Ribeiro foi imediatamente levado ao centro cirúrgico para uma craniectomia descompressiva, mas não sobreviveu à gravidade de seus ferimentos.

A operação no Complexo de Israel teve início nas primeiras horas da manhã e encontrou resistência significativa por parte de criminosos que atuam na região. A tenente-coronel Claudia Moraes, porta-voz da Polícia Militar, declarou que houve um confronto intenso, durante o qual os criminosos dispararam em direção às vias públicas, resultando em vítimas inocentes. O tiroteio afetou o tráfego na Avenida Brasil, além de interromper a circulação de trens, ônibus e do BRT na área. Escolas e postos de saúde também foram fechados como medida de segurança.

A tenente-coronel esclareceu que, ao perceber os impactos da operação sobre a população e o trânsito na cidade, a decisão foi tomada para suspender as atividades. No entanto, a retirada dos policiais da comunidade não ocorreu de maneira imediata, levando algum tempo para garantir a segurança da equipe.

A oficial também destacou que a reação dos criminosos foi inesperada e mais intensa do que o previsto. A operação, que teve início na Cidade Alta, uma área onde a resistência costuma ser menor, não contou com inteligência suficiente para antecipar a força da reação dos envolvidos.

A operação policial e suas consequências levantam questões sobre a eficácia das intervenções em áreas dominadas por facções criminosas e os riscos associados à segurança pública nas comunidades.

Governador do Rio de Janeiro relata ataques de criminosos durante Operação Policial

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, informou na manhã de quinta-feira (24) que, durante uma operação da Polícia Militar no Complexo de Israel, criminosos atiraram intencionalmente contra motoristas e passageiros na Avenida Brasil. Segundo ele, a ação foi parte de uma estratégia para dificultar a atuação policial na comunidade. Até o momento, o número de mortos confirmados é três, e duas pessoas estão feridas.

Durante a coletiva, Castro destacou que a inteligência da polícia indicou que a operação se aproximava do líder da facção criminosa que atua na região. Para dispersar a ação policial, os criminosos dispararam contra pessoas inocentes. “A principal missão da PM é defender as pessoas. Tomamos a decisão de recuar naquele momento”, explicou. O governador enfatizou que as vítimas não estavam envolvidas em um confronto com a polícia, mas foram assassinadas como resultado da ação do tráfico de drogas.

O objetivo da operação era combater o roubo de veículos e de cargas, além de atender a uma solicitação de uma operadora de telefonia que teve o sinal cortado na área. Castro também comentou sobre a atuação da inteligência policial, afirmando que, apesar do planejamento, a reação do tráfico foi desproporcional em comparação com outras operações realizadas na mesma localidade.

O governador atribuiu parte da responsabilidade pela violência no estado ao governo federal, mencionando a entrada de armamentos e drogas através de portos, aeroportos e estradas federais. “Não é mais possível que o estado do Rio de Janeiro apreenda só este ano 540 fuzis. Só na minha gestão, são 1.770 fuzis e 55 toneladas de drogas. Isso representa um tráfico internacional de armas e drogas, que é uma competência federal”, disse. Castro solicitou maior colaboração do governo federal para que o trabalho da polícia seja mais eficaz.

Críticas à operação foram emitidas pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (CDDHC) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em nota, a CDDHC afirmou que as mortes foram resultado de “uma tragédia produzida pela incompetência estatal” e questionou a falta de planejamento da operação, que afetou negativamente diversas localidades. A comissão ressaltou que a operação resultou na prisão de apenas uma pessoa e na apreensão de duas granadas, enquanto três pessoas foram mortas e o direito de ir e vir de muitos cidadãos foi prejudicado.

Além disso, a CDDHC criticou o emprego de recursos públicos em operações que, segundo ela, estão fadadas ao fracasso, e a insistência do governo estadual em uma abordagem militarizada ao problema da segurança pública.

*Com informações da Agência Brasil.


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