A profissão de relojoeiro, uma das mais antigas da história, enfrenta um desafio significativo: a falta de novos profissionais. Embora a habilidade de consertar e manter relógios permaneça relevante, a escassez de mão de obra jovem preocupa os profissionais da área. O avanço da tecnologia e a popularização de dispositivos que informam a hora, como smartphones, não diminuíram a demanda por relojoeiros, que ainda são essenciais para manter os relógios funcionando.
A história do relógio remonta a mais de 1.200 anos, quando surgiram as primeiras formas de medir o tempo, como o relógio de sol e a ampulheta. O astrofísico italiano Galileu Galilei destacou a importância de entender o tempo. Desde então, a evolução dos mecanismos de medição do tempo foi notável. O primeiro relógio de pulso foi produzido por Abraham Louis Breguet em 1814, atendendo a um pedido de Carolina Murat. Apesar da modernização, o relojoeiro ainda preserva características artesanais, segundo Aleucik Almeida Santos, um relojoeiro com mais de 40 anos de experiência e presidente da Associação dos Artesãos do Mercado de Arte Popular (MAP), em Feira de Santana.
Aleucik iniciou sua carreira aos 13 anos sob a orientação do tio, Wilson Jacaré. Proprietário do boxe ReloArte Modelo no MAP, ele demonstra orgulho pela profissão, mas expressa preocupações em relação à falta de renovação.
“Antigamente, qualquer profissional poderia receber um jovem para ensinar a arte. Hoje, as leis não permitem que menores trabalhem, e, quando aprendem, muitos entram na Justiça contra aqueles que lhes ensinaram”, comenta Aleucik.
Edson Santos, outro relojoeiro, também critica a legislação vigente. Ele aponta que, enquanto muitos jovens permanecem nas ruas, oportunidades de aprendizado são limitadas, resultando em um déficit de mão de obra na profissão. Atualmente, Feira de Santana, com uma população estimada em cerca de um milhão, conta com aproximadamente 20 relojoeiros profissionais.
“Aquilo que se classifica como relojoeiro é bem reduzido. Existem mais pessoas que realizam serviços superficiais, como troca de bateria e limpeza externa de relógios”, afirma Aleucik.
Apesar do crescimento dos relógios automáticos e de bateria, que podem atender a uma demanda maior, os modelos mecânicos, como os da Orient e Champion, continuam populares. A venda de relógios usados, revisados e oferecidos a preços acessíveis, representa uma solução para aqueles que não podem investir em novos modelos, como os da Mido e Rolex.
Com sua experiência de mais de 40 anos, Aleucik desenvolveu uma habilidade notável para consertar relógios. O tempo necessário para realizar um conserto varia conforme o defeito.
“Alguns consertos podem ser feitos em 20 minutos, enquanto outros podem levar dias, principalmente se as peças necessárias não estão disponíveis”, explica. A troca de bateria é uma atividade comum, enquanto em relógios automáticos, a parada temporária é frequente. “Isso ocorre quando o relógio não é usado por um longo período. Assim que colocado novamente no pulso, ele retoma seu funcionamento”, conclui Aleucik.
A falta de renovação na profissão de relojoeiro representa um desafio significativo para a continuidade dessa arte. Embora a profissão mantenha sua relevância, a escassez de jovens dispostos a aprender e a trabalhar nesse setor coloca em risco a sobrevivência da prática artesanal. As discussões sobre a legislação do trabalho juvenil e a necessidade de um ambiente de aprendizado adequado são fundamentais para garantir a continuidade dessa tradição.
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