As negociações climáticas da COP29, realizadas em Baku, Azerbaijão, avançaram para a etapa final com debates sobre financiamento climático, urbanização, igualdade de gênero e o impacto do turismo no clima. Entre os principais desafios discutidos está a mobilização de recursos financeiros, estimados em bilhões de dólares, necessários para que os países em desenvolvimento possam se adaptar ao aquecimento global. As opções incluem contribuições de governos, bancos multilaterais e do setor privado.
Um dos destaques foi o impacto das cidades na crise climática. Com metade da população mundial residindo em áreas urbanas, e a expectativa de um aumento de 2,4 bilhões de habitantes em 20 anos, os centros urbanos foram apontados como responsáveis por 52% das emissões de gases de efeito estufa, concentradas em 25 megacidades como Xangai, Tóquio e Nova Iorque. Durante um encontro com prefeitos, a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Inger Andersen, defendeu ações urgentes, incluindo eficiência energética, melhorias no transporte público e redução das emissões de metano.
Paralelamente, a diretora executiva do ONU-Habitat, Anaclaudia Rossbach, alertou sobre os riscos do desenvolvimento urbano desordenado, que pode agravar problemas como a perda de biodiversidade, insegurança alimentar e fragmentação social. Ela enfatizou que o futuro depende de uma abordagem integrada, que alie necessidades sociais, ambientais e econômicas.
O evento também destacou a igualdade de gênero como tema central. Catarina Carvalho, da ONU Mulheres, defendeu maior participação feminina na formulação de políticas climáticas. Ela destacou o papel das mulheres indígenas e agricultoras e alertou que ignorar a perspectiva de gênero compromete a eficácia das ações climáticas, deixando de atender às necessidades de metade da população.
Outro tema inédito tratado na COP29 foi o turismo. Com contribuições de US$ 3,3 trilhões ao PIB global em 2023, o setor foi identificado como vítima e agente da crise climática. Inger Andersen reforçou a necessidade de reduzir as emissões do turismo, enfatizando o impacto de práticas sustentáveis em um setor que emprega uma em cada dez pessoas no mundo.
A COP29 encerra suas atividades com a expectativa de avanços em um novo plano de financiamento climático e a implementação de estratégias integradas que contemplem os desafios ambientais, sociais e econômicos discutidos ao longo dos últimos dias.
*Com informações da ONU News.








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