Com controle do Congresso e da Suprema Corte, Donald Trump tem caminho livre para impor reformas conservadoras nos EUA

Donald Trump durante discurso de vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, com o apoio da maioria no Congresso e na Suprema Corte.
Donald Trump durante discurso de vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, com o apoio da maioria no Congresso e na Suprema Corte.

Donald Trump, eleito para ser o 47º presidente dos Estados Unidos, iniciou a formação de sua equipe de governo que assumirá em 2025. A vitória nas eleições de novembro de 2024, com 50,8% dos votos populares contra 47,5% de sua rival, Kamala Harris, consolidou o controle do Partido Republicano, não só no Executivo, mas também no Congresso. Trump obteve 295 delegados no Colégio Eleitoral, superando o total necessário para garantir sua eleição. A retomada do controle do Senado e a manutenção da maioria na Câmara de Representantes fortalecem ainda mais sua posição.

Em entrevista, Lucas de Souza Martins, professor de História dos Estados Unidos da Temple University, na Filadélfia, afirmou que a postura de Trump, refletida em suas propostas para o próximo mandato, não sofrerá mudanças significativas.

“Este momento favorável em que ele se encontra reflete o cenário político em que a maioria lhe favorece”, observou Martins.

O professor também ressaltou que, com o controle do Congresso e da Suprema Corte, Trump terá maior facilidade para implementar reformas conservadoras, incluindo uma agenda de políticas de extrema direita.

Um dos pontos destacados por Martins é a possibilidade de Trump indicar dois novos juízes para a Suprema Corte, consolidando ainda mais uma composição conservadora no mais alto tribunal dos Estados Unidos. Esse poder de nomeação representa um fortalecimento das políticas do republicano, especialmente no que diz respeito à revogação do Roe vs. Wade, decisão de 1973 que garantia o direito ao aborto no país.

Em 2022, a Suprema Corte revogou essa legislação, decisão que foi facilitada pela nomeação de três juízes conservadores durante o primeiro governo Trump. Com a volta de Trump à presidência, a expectativa é que essa posição seja mantida, deixando a decisão sobre a legalidade do aborto para os governos estaduais.

“Acredita-se que os estados mais democratas adotarão uma postura mais progressista, enquanto os republicanos, principalmente aqueles governados por conservadores, seguirão a linha de Trump”, afirmou Martins.

Além da questão do aborto, outra área afetada pela administração Trump será a implementação de políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIA+. Martins acredita que os avanços obtidos nas últimas administrações serão pausados, diante da prevalência de um Congresso dominado por republicanos.

No entanto, o professor alerta para o dinamismo do cenário político americano, lembrando que o controle do Congresso por parte do Partido Republicano poderá ser alterado nas próximas eleições de meio mandato, em 2026.

“A situação de maioria republicana no Congresso será a tônica nos próximos dois anos, mas a política americana é volátil e sempre sujeita a mudanças”, concluiu Martins.

*Com informações da RFI.


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