A celebração do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, consolidada como feriado nacional desde dezembro de 2023, é um marco na história da luta contra o racismo e pela igualdade racial no Brasil. A data, que remonta ao dia da morte de Zumbi dos Palmares em 1695, celebra não apenas a memória do líder do Quilombo dos Palmares, mas também os avanços e desafios enfrentados pela população negra em diversos âmbitos da sociedade.
No cenário nacional, 54,4% dos negócios brasileiros são administrados por pessoas negras, segundo o IBGE, com destaque para a Bahia, onde 80% das pequenas empresas estão sob liderança negra. Esses números refletem progressos, mas a desigualdade social e as barreiras de acesso ainda persistem, como aponta Lourdes Santana, ativista histórica de Feira de Santana. Lurdinha, como é conhecida, observa que o preconceito limita oportunidades em áreas como educação e saúde. Apesar disso, ressalta avanços na representação cultural, especialmente na música e na televisão, embora ainda considere superficial a aceitação da identidade negra pela sociedade.
Lurdinha é conhecida por sua atuação como modelo desde os anos 1960, vencedora do Concurso Beleza Negra e autora de 19 projetos de lei aprovados pela Câmara de Vereadores. Sua trajetória inspira a continuidade de sua luta por mudanças sociais que transcendam a cor da pele. “A sociedade precisa deixar de avaliar as pessoas pela cor”, afirma.
O mês de novembro é marcado por uma série de atividades conhecidas como Novembro Negro, que reforçam a luta histórica da população negra. Hely Pedreira, professora da Universidade Federal do Recôncavo, destaca a importância das ações contínuas realizadas ao longo do mês, ressaltando o papel do evento como um símbolo de resistência e celebração da cultura afro-brasileira.
Dionorina, cantor e compositor de Feira de Santana, associa a data à valorização da cultura afrodescendente, como a preservação de elementos como música, culinária e religiosidade. Para ele, a oficialização do feriado é um reconhecimento à memória de Zumbi dos Palmares e sua luta pela liberdade.
Justiniano França, professor e ex-vereador, reforça a importância do Dia da Consciência Negra como um momento para refletir sobre a igualdade de oportunidades e a superação do racismo estrutural. Ele destaca o papel das políticas públicas de reparação e a necessidade de uma mudança de mentalidade que garanta justiça e cidadania plena à população negra.
A instituição do feriado nacional representa um avanço significativo, mas também um convite à reflexão e à ação para construir uma sociedade mais igualitária, onde a diversidade cultural e racial seja um ponto de união e desenvolvimento.








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