Feira de Santana: Jornalista e advogado, Franklin Maxado deixou tudo pelo cordel

O jornalista e advogado Franklin Maxado decidiu abandonar sua carreira em diversas áreas para se dedicar integralmente à literatura de cordel. Em sua jornada, o profissional, que possui formação militar e experiência como proprietário de terras, fez a transição de Franklin Machado para um nome que se tornou sinônimo de cordel na Bahia e no Brasil, incorporando um “X” que marca sua identidade artística. Essa mudança representa não apenas um novo nome, mas também uma nova vida, onde suas poesias, cordéis e prosas se tornaram essenciais.

Natural de Feira de Santana, Franklin é filho do dentista Isaack Barreiro Machado e da professora Anita Vitória Barreiro. Com uma trajetória diversa, ele se envolveu em atividades teatrais como escritor, diretor e ator, além de produzir músicas temáticas. Trabalhou como jornalista no Diário de Notícias e serviu no Exército Brasileiro. Antes de se dedicar à literatura de cordel, Franklin realizou um casamento com um ritual inovador que atraiu a atenção do público. Ele decidiu, então, escrever e vender livros de cordel em feiras e ruas da Grande São Paulo, afastando-se da vaidade e comprometendo-se a levar essa forma de arte ao povo.

Maxado também é autor de diversos poemas, crônicas e livros, destacando-se “O Que é a Literatura de Cordel”, que proporciona uma visão abrangente desse estilo poético. Ele utiliza sua forte ligação com o nordeste para abordar temas variados, incluindo cangaço, futebol, política e o folclore brasileiro, transitando entre universidades e espaços públicos. Sua literatura alcançou outros países, como Portugal, onde a literatura de cordel foi bem recebida.

Como um artista multifacetado, Franklin participou ativamente de festivais de música e eventos literários. Em Salvador, durante o Concurso de Poesia Falada na Câmara de Vereadores, destacou-se como declamador, atraindo aplausos de forma inusitada ao se apresentar com uma sunga. É autor de centenas de livros de cordel e possui habilidades em xilogravura, uma arte que complementa sua produção literária, com ilustrações rústicas e expressivas frequentemente utilizadas nas capas de seus livros.

Reconhecido por sua inteligência e postura contestadora, Maxado defendeu a literatura de cordel como Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, apresentando a proposta ao então Ministro da Educação, Eduardo Portela, em 1980. Essa iniciativa resultou no reconhecimento oficial da literatura de cordel. Além disso, junto ao intelectual português Antônio Abreu Freire, Franklin solicitou à UNESCO que a literatura de cordel fosse declarada Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Em sua obra “Palavras à Toa”, Franklin apresenta o poema “O Jacuípe da Minha Infância”, que oferece uma reflexão profunda sobre memórias e a cultura local. Outra de suas propostas provocativas envolve a alteração da Bandeira Nacional para incluir a cor vermelha, com base em argumentos históricos que relacionam a cor com a identidade do Brasil e suas populações indígenas.

Franklin Maxado foi um dos fundadores da TV Educativa da Bahia, em 1987, e ocupou cargos de direção na Casa do Sertão da Universidade Estadual de Feira de Santana e no Museu Regional de Arte. Assim como Dom Quixote, ele continua sua luta contra a falta de leitura no Brasil, promovendo e divulgando a literatura de cordel em sua incessante busca por reconhecimento e valorização cultural.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading