Ipirá sedia apresentação do recital ‘O ÁS DE OURO – Uma Saga Sertaneja de Vingança e Perdão’

No próximo dia 27 de novembro de 2024, o Centro Cultural Elofilo Marques, em Ipirá, Bahia, será palco da apresentação única do recital “O ÁS DE OURO – Uma Saga Sertaneja de Vingança e Perdão”. A obra, que faz parte da trilogia poética de Tude Celestino de Souza, é um tributo à memória do poeta nordestino e à literatura sertaneja, por meio da interpretação de sua filha, a atriz e ativista JusTina Tude. A apresentação, que também ocorrerá em Feira de Santana e Lauro de Freitas nas etapas seguintes de sua circulação, é uma oportunidade para revisitar a rica tradição literária da região e relembrar a figura de Tude Celestino como um dos maiores nomes da poesia baiana.

A trilogia “O ÁS DE OURO” é considerada a obra mais emblemática de Tude Celestino, sendo marcada por uma narrativa fictícia que explora os sentimentos de vingança e perdão em um contexto sertanejo. Através da personagem central, a saga aborda a transformação de um indivíduo atormentado por um desejo de vingança, que encontra a redenção no perdão, em uma jornada de autoconhecimento e purificação. Para JusTina Tude, a obra reflete uma “composição marcada por traços sertanejos” e busca resgatar o espírito da literatura nordestina, trazendo à tona questões universais por meio de uma linguagem impregnada da cultura local.

O movimento ATiTude CelesTina, idealizado por JusTina, visa a difusão da obra e da memória do autor, um dos maiores poetas do sertão baiano, com foco na prática de recitais como forma de promover a poesia oral, além do tradicional formato de leitura em papel. A proposta também é um tributo póstumo ao poeta, nascido em Ipitanga, atual Lauro de Freitas, e cuja obra representa um dos mais relevantes legados literários da Bahia. Para JusTina, a prática de recitar poesia além dos limites do livro é uma forma de manter viva a tradição cultural do sertão, transmitindo aos novos públicos o legado de seu pai.

Tude Celestino de Souza, conhecido como o poeta de Ipitanga, foi um autodidata cuja produção literária revelou grande erudição, apesar de seu limitado acesso aos estudos formais. Sua obra, que possui traços de grandes clássicos literários, conquistou a admiração de seus contemporâneos e continua a influenciar a literatura nordestina. Durante sua vida, Tude enfrentou sérios problemas de saúde, incluindo a cegueira, mas isso não impediu que sua obra fosse reconhecida. Seu legado literário, conforme o poeta, jornalista e jurista Jehová de Carvalho, é de uma “impossível repetição”, o que reflete a importância de sua contribuição à literatura brasileira.

O recital “O ÁS DE OURO” é contemplado pelo edital VOZES CULTURAIS DA BAHIA, através da Lei Paulo Gustavo, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, e do Ministério da Cultura, do Governo Federal. A realização do projeto visa manter viva a memória de Tude Celestino e a força de sua poesia, promovendo a oralidade como uma forma de preservar e celebrar a tradição literária nordestina.


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