Quincy Jones, renomado produtor e arranjador norte-americano, faleceu no domingo (3 de novembro), aos 91 anos, em sua residência no bairro de Bel Air, em Los Angeles. Segundo seu assessor, Arnold Robinson, Jones estava cercado pela família no momento de sua morte. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Jones atuou como trompetista, arranjador, compositor e produtor, sendo reconhecido com 27 prêmios Grammy e colaborando com alguns dos maiores nomes da música, incluindo Michael Jackson, Frank Sinatra e Ray Charles.
Jones é amplamente lembrado por suas contribuições para a música pop e jazz, sendo peça-chave na produção de três álbuns icônicos de Michael Jackson – Off the Wall (1979), Thriller (1982) e Bad (1987) – que redefiniram a indústria musical. Thriller vendeu aproximadamente 70 milhões de cópias, com seis de suas nove faixas alcançando o Top 10 das paradas musicais. Esse trabalho colaborativo também ajudou a consolidar Jackson como ícone global, impulsionado por vídeos e arranjos musicais que moldaram a década de 1980.
Jones também exerceu papel importante na televisão e cinema, compondo trilhas sonoras de filmes como No Calor da Noite e A Sangue Frio, além de coproduzir o filme A Cor Púrpura e o programa Um Maluco no Pedaço, que lançou a carreira de Will Smith. Em 1985, liderou a produção do projeto beneficente We Are the World, cuja arrecadação foi destinada ao combate à fome na Etiópia. O evento contou com a participação de artistas como Ray Charles, Bob Dylan e Bruce Springsteen, e reforçou o papel de Jones como figura central na música norte-americana.
Nascido em 14 de março de 1933, em Chicago, Quincy Jones iniciou seu contato com a música em Bremerton, Washington. Ele se destacou como trompetista e, ainda jovem, começou a tocar jazz e rhythm-and-blues. Sua carreira ganhou impulso ao trabalhar com grandes nomes do jazz como Count Basie e Dizzy Gillespie. Em 1964, enquanto trabalhava como executivo na Mercury Records, Jones produziu It’s My Party, de Lesley Gore, seu primeiro grande sucesso na música pop.
Jones também foi reconhecido por seu trabalho social e empresarial. Fundou a gravadora Qwest e a revista Vibe, dedicada ao hip-hop, além de desenvolver iniciativas humanitárias. Ao longo de sua vida, trabalhou com artistas de vários gêneros, como Amy Winehouse, Paul Simon e Aretha Franklin. O impacto de sua obra se estende globalmente, com diversas de suas composições tocadas no Brasil, sendo registradas e protegidas pelo Ecad, conforme a Lei dos Direitos Autorais.
Ecad presta homenagem póstuma
O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) emitiu nota de pesar, destacando a relevância de Quincy Jones para a música mundial e sua influência na cultura musical brasileira. De acordo com o Ecad, Jones teve 645 composições e 829 gravações registradas para gestão de direitos autorais no Brasil. Os dados refletem a influência sobre o público brasileiro, já que, segundo dados da própria entidade
Quincy Jones teve suas músicas executadas em múltiplos segmentos de audiência no Brasil, abrangendo rádios, shows, sonorização ambiental, música ao vivo, casas de festas e grandes eventos como o Carnaval e as Festas Juninas. As composições mais tocadas no país nos últimos cinco anos incluem Yah Mo Be There, Soul Bossa Nova e P.Y.T. (Pretty Young Thing), além de Miss Celie’s Blues (Sister), composta para o filme A Cor Púrpura.
A entidade reforçou que os direitos autorais das músicas de Quincy Jones continuarão a ser garantidos no Brasil, e os rendimentos desses direitos serão repassados aos herdeiros do artista por 70 anos após sua morte, conforme a Lei 9.610/98.
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