Presidente Lula e outros líderes mundiais reagem à vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA

A eleição de Donald Trump desencadeia reações de líderes mundiais, que manifestam expectativas quanto ao futuro das relações internacionais.
A eleição de Donald Trump desencadeia reações de líderes mundiais, que manifestam expectativas quanto ao futuro das relações internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumprimentou Donald Trump pela vitória na eleição presidencial norte-americana realizada na terça-feira (05/11/2024). A mensagem de Lula, publicada nas redes sociais, reafirma a importância do respeito aos processos democráticos e do diálogo entre as nações. Em seu discurso, o líder brasileiro desejou sorte ao republicano e ressaltou a necessidade de cooperação internacional para promover paz e desenvolvimento.

Na mensagem de congratulação, Lula enfatizou que “a democracia é a voz do povo e deve ser sempre respeitada,” afirmando que o sucesso do novo governo dos Estados Unidos pode contribuir para um cenário global de maior diálogo e prosperidade. O presidente brasileiro destacou ainda a relevância de um ambiente diplomático em que as nações colaborem para enfrentar desafios comuns.

A posição de Lula representa uma postura de apoio institucional ao vencedor do pleito, ainda que anteriormente o presidente brasileiro tenha manifestado simpatia pela candidatura de Kamala Harris, do Partido Democrata. Lula havia mencionado, em declarações recentes, que a vitória de Harris seria benéfica para o fortalecimento de políticas democráticas, demonstrando alinhamento com suas pautas.

Reações divergentes na América Latina marcam a vitória de Donald Trump nos EUA

A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, realizada na terça-feira (5), gerou respostas distintas entre os líderes da América Latina, refletindo divisões ideológicas no continente. Governantes de direita rapidamente parabenizaram o republicano e destacaram o desejo de estreitar laços com os Estados Unidos. Em contrapartida, líderes de esquerda reagiram com cautela ou evitaram comentar publicamente o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi uma exceção entre os políticos de esquerda ao felicitar o republicano, ressaltando a importância do respeito à vontade popular.

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que mantém uma postura de alinhamento ideológico com Trump, publicou nas redes sociais um vídeo ressaltando semelhanças com o republicano. A publicação inclui um texto traduzido para o inglês, em que Bolsonaro exalta a resiliência de Trump e afirma que ele retornará à presidência norte-americana para “restaurar a grandeza de sua nação” e promover um mundo mais pacífico. A postagem teve alta repercussão, com milhões de visualizações, reforçando a ligação entre os dois ex-líderes.

Entre os líderes de direita da América Latina, a vitória de Trump foi amplamente comemorada. O presidente argentino, Javier Milei, congratulou o republicano e reiterou seu compromisso em fortalecer os laços históricos entre Argentina e Estados Unidos. Em sua mensagem, Milei destacou que “a Argentina reafirma seu compromisso de continuar fortalecendo nossa aliança.” O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, também utilizou as redes sociais para felicitar Trump, afirmando que espera trabalhar em conjunto para beneficiar os povos de ambas as nações. Já o presidente do Equador, Daniel Noboa, limitou-se a uma breve mensagem de apoio, descrevendo o futuro do continente como promissor.

Do lado oposto, as reações de líderes alinhados à esquerda foram marcadas por prudência ou silêncio. O presidente colombiano Gustavo Petro parabenizou Trump, mas alertou para a urgência de um diálogo entre os hemisférios norte e sul sobre questões climáticas. Petro também se pronunciou sobre o papel dos Estados Unidos nos conflitos no Oriente Médio, criticando qualquer apoio a ações militares em Gaza. Claudia Sheinbaum, presidente do México, manteve silêncio sobre o resultado eleitoral até a tarde de quarta-feira, quando afirmou que o retorno de Trump não representa motivo de preocupação para os mexicanos. A agência Reuters sugere que o México deve adotar uma postura cuidadosa diante do novo cenário, dado o potencial impacto na política migratória, no comércio e na segurança. Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, preferiu não se pronunciar nas redes sociais até o fechamento desta matéria.

Líderes internacionais parabenizam Trump

A confirmação da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, realizada em 5 de novembro, gerou uma série de reações de líderes globais, que expressaram expectativas variadas quanto ao impacto dessa escolha no cenário internacional. Os líderes de Israel, China, França e diversos outros países comentaram o resultado, sinalizando intenções de cooperação e alertando sobre as prioridades que esperam discutir com o novo governo norte-americano.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, parabenizou Trump por seu retorno à presidência dos Estados Unidos, classificando a vitória como um “novo começo” e reafirmando a importância da aliança entre os dois países. Para Netanyahu, a renovação desse vínculo com os EUA é essencial, especialmente no contexto do prolongado conflito com o grupo Hamas na Faixa de Gaza, que declarou que seu posicionamento dependerá da política de Trump em relação aos palestinos.

Na Europa, a eleição de Trump também gerou respostas. O presidente francês, Emmanuel Macron, mencionou seu compromisso de cooperar com os Estados Unidos “com respeito e ambição”, enquanto a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, enfatizou a necessidade de a Europa assumir uma postura independente em áreas como defesa e descarbonização. Macron discutiu esses temas com o chanceler alemão, Olaf Scholz, com quem concordou em promover uma Europa mais unida e soberana.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, destacou a aliança histórica entre Itália e Estados Unidos e descreveu o vínculo entre as duas nações como inabalável. Em declaração oficial, Meloni afirmou que essa relação estratégica deverá ser reforçada durante o novo mandato de Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também expressaram intenção de manter uma cooperação construtiva entre União Europeia e EUA.

Na OTAN, o secretário-geral Mark Rutte afirmou que a liderança de Trump será um fator central para a estabilidade da Aliança, manifestando o desejo de manter a unidade do bloco. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou a vitória de Trump, manifestando esperanças de que sua presidência favoreça uma “paz justa” para a Ucrânia. Diversos países europeus, incluindo Holanda, Noruega, Dinamarca, Portugal e Espanha, também enviaram mensagens de congratulações ao republicano.

Em outras partes do mundo, a eleição de Trump suscitou reações cautelosas. A China, por meio de Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, expressou o desejo de uma “coexistência pacífica” com os Estados Unidos, com base em respeito mútuo e cooperação. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, saudou Trump como um “amigo” e manifestou esperanças de que a relação entre Turquia e Estados Unidos se fortaleça. Ele também mencionou questões críticas como a situação palestina e o conflito entre Rússia e Ucrânia.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer enfatizou a continuidade da “relação especial” entre os dois países, destacando a defesa dos valores de liberdade e democracia que ambos compartilham. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também parabenizou Trump, expressando esperança em dar continuidade aos avanços da relação bilateral dos últimos anos.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o governo russo avaliará o novo governo norte-americano com base em suas ações. Peskov mencionou que não havia ainda um comunicado oficial de felicitações do presidente Vladimir Putin, pois, segundo ele, os Estados Unidos não são considerados um país amigo pela Rússia.

Após a divulgação de sua vitória, Donald Trump agradeceu o apoio de seus eleitores em discurso realizado em West Palm Beach, Flórida, e prometeu “curar” o país em meio a um clima de expectativas e desafios globais.

Macron parabeniza Trump e reforça necessidade de autonomia europeia

Em meio ao anúncio da vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições americanas, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi o primeiro líder de uma potência ocidental a congratular o republicano. Na quarta-feira (6), Macron publicou em sua conta na rede X uma mensagem de felicitação direcionada a Trump, expressando seu desejo de trabalhar em conjunto.

“Parabéns, presidente Donald Trump. Pronto para trabalharmos juntos como já o fizemos durante quatro anos. Com as suas convicções e as minhas. Com respeito e ambição. Por mais paz e prosperidade”, escreveu Macron.

Na mesma manhã, Macron realizou uma conversa com o chanceler alemão, Olaf Scholz, na qual ambos reiteraram o compromisso com uma Europa mais forte e autônoma. Em publicação na rede X, o presidente francês destacou a necessidade de “cooperar com os Estados Unidos e defender nossos interesses e valores”, ressaltando a parceria entre França e Alemanha como eixo fundamental da economia europeia. Para Macron, a postura da União Europeia precisa se adaptar aos novos desafios impostos pela política externa dos Estados Unidos, especialmente no que concerne à segurança e competitividade econômica da região.

Apesar da resposta rápida de Macron, analistas consideram que o cenário é desfavorável ao líder francês. Segundo Mujtaba Rahman, especialista do Eurasia Group, Macron compreende o impacto que uma nova presidência de Trump pode ter sobre a União Europeia, motivando sua rápida manifestação pública. O presidente francês defende a ideia de uma soberania europeia há anos, um conceito que ganhou força com eventos como a pandemia de Covid-19 e a invasão russa da Ucrânia. Em discurso realizado na Universidade Sorbonne, Macron alertou sobre a importância de um impulso europeu para garantir a segurança do continente, com o objetivo de diminuir a dependência dos Estados Unidos e reforçar a competitividade econômica da União Europeia frente a potências como China e Estados Unidos.

Para especialistas, a vitória de Trump pode provocar um rápido desengajamento americano em relação à Europa e à Ucrânia, o que reforça a disposição de Macron em posicionar-se como líder europeu. A relação entre os dois líderes, marcada pela cordialidade e rivalidade desde que ambos assumiram o poder em 2017, tem oscilado. No entanto, o presidente francês não conseguiu evitar decisões-chave de Trump em seu primeiro mandato, como a retirada dos Estados Unidos dos acordos climáticos e do acordo nuclear com o Irã.

Com o retorno de Trump à Casa Branca, Macron parece avaliar uma nova estratégia para ampliar sua influência, apesar dos desafios. Segundo uma fonte próxima ao presidente francês, Macron acredita em uma pequena chance de sucesso. François Heisbourg, da Fundação para a Pesquisa Estratégica, observa que o esforço de Macron em estabelecer uma relação prática com Trump falhou anteriormente, deixando dúvidas sobre como essa relação pode ser retomada.

Ainda, Macron enfrenta desafios internos que podem afetar sua postura na arena internacional. A dissolução da Assembleia Nacional francesa trouxe incertezas sobre a liderança política no país. Além disso, a parceria com a Alemanha enfrenta dificuldades devido à instabilidade na coalizão governamental de Scholz, o que afeta a unidade europeia necessária para responder à política de Trump. Conforme avalia Heisbourg, o alinhamento político das forças europeias é atualmente um dos mais desfavoráveis para reagir aos desafios impostos pelo retorno de Trump à presidência dos Estados Unidos.

*Com informações da Agência Brasil e RFI.


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