O Ministério de Minas e Energia iniciou negociações com a empresa russa Rosatom para expandir a cadeia de energia nuclear no Brasil. Durante uma reunião realizada em 2 de dezembro de 2024, foi elaborado um cronograma para viabilizar a cooperação técnica, com previsão de conclusão das tratativas até o final de 2025. Entre os objetivos principais estão a produção de pequenos reatores nucleares e o fortalecimento da mineração de urânio, considerado um recurso estratégico pelo governo brasileiro.
De acordo com o ministro Alexandre Silveira, o Brasil tem potencial para alcançar a terceira maior reserva de urânio do mundo, com apenas 26% de seu subsolo conhecido. Silveira destacou que a experiência russa na área nuclear pode acelerar o desenvolvimento da cadeia energética nacional e reduzir custos de transmissão, sobretudo em regiões isoladas.
“Os pequenos reatores nucleares podem aumentar a segurança energética e garantir atendimento em áreas remotas”, afirmou o ministro.
A delegação russa apontou que o Brasil possui potencial para gerar 1,1 GW de energia nuclear até 2035, sendo 0,6 GW provenientes de reatores onshore e 0,5 GW de reatores offshore. Em novembro, a Rosatom já havia firmado um acordo de confidencialidade com a Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep) para explorar soluções nucleares offshore. A estatal russa também demonstrou interesse em financiar parte dos projetos em parceria com empresas brasileiras.
No cenário internacional, o Brasil tem expandido diálogos com outros países e organizações sobre energia nuclear, incluindo os Estados Unidos, a Austrália e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Paralelamente, no âmbito da COP28, em Dubai, 22 países se comprometeram a triplicar a geração de energia nuclear até 2050, o que reforça o interesse global por essa tecnologia como alternativa energética de baixo impacto ambiental.
No Brasil, as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que possuem o monopólio da exploração de urânio no país, iniciaram operações em 2020 na Mina do Engenho, na Bahia. Entretanto, o projeto de exploração da maior reserva de urânio nacional, em Santa Quitéria, Minas Gerais, aguarda autorização do Ibama. Segundo estimativas, a área possui potencial para produzir até 2 mil toneladas de urânio por ano, contribuindo para o desenvolvimento da política pública de energia nuclear defendida pelo governo federal.
*Com informações da Sputnik News.








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