AIEA alerta para necessidade de investimento contínuo em urânio diante da expansão da energia nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Agência de Energia Nuclear da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (NEA/OCDE) apontam a necessidade de investimentos contínuos na exploração e no desenvolvimento de minas de urânio diante da perspectiva de expansão da geração nuclear no mundo. A avaliação consta da edição de 2026 do relatório “Uranium 2026: Resources, Production and Demand”, divulgado em segunda-feira (14/09/2026).

O documento reúne informações de 46 países e analisa recursos, produção, exploração, desenvolvimento de projetos e demanda relacionada aos reatores nucleares. Segundo o levantamento, havia 418 reatores nucleares comerciais, com capacidade conjunta de aproximadamente 378 gigawatts elétricos (GWe), no início de 2025.

A demanda anual de urânio, estimada em cerca de 64,5 mil toneladas em 2025, poderá alcançar entre 84,8 mil e 143,9 mil toneladas por ano até 2050, dependendo da expansão da capacidade nuclear considerada nos cenários do relatório.

Produção de urânio cresce, mas novos projetos ainda são necessários

A produção mundial de urânio aumentou aproximadamente 20% em 2023 e 2024, em comparação com os dois anos anteriores. O crescimento ocorreu principalmente pela retomada de operações que estavam paralisadas e pela ampliação da produção de minas existentes, com destaque para o Canadá.

A produção acumulada nos dois anos superou 116 mil toneladas de urânio, enquanto 2024 registrou 61.924 toneladas, maior volume anual desde 2016. Apesar do aumento, o levantamento destaca que nenhum novo projeto de mineração de urânio havia iniciado produção no período analisado.

Os investimentos em exploração e desenvolvimento também cresceram. Mais de US$ 1,78 bilhão foi destinado a essas atividades em 2023 e 2024, valor 46% superior ao registrado em 2021 e 2022. O relatório, porém, aponta que os investimentos em perfuração para desenvolvimento de projetos permaneceram relativamente estáveis.

Recursos identificados superam 8,1 milhões de toneladas

O levantamento identificou mais de 8,1 milhões de toneladas de recursos de urânio recuperáveis a um custo inferior a US$ 260 por quilograma de urânio. O volume representa crescimento de aproximadamente 2,1% em relação à edição anterior do relatório.

De acordo com as projeções apresentadas pelas agências, os recursos atualmente identificados seriam suficientes para atender até mesmo ao cenário de maior demanda projetada para 2050. A existência desses recursos, entretanto, não significa que todo o volume esteja imediatamente disponível para utilização.

Entre os fatores considerados necessários para transformar recursos conhecidos em oferta efetiva estão investimentos em exploração, desenvolvimento e infraestrutura, além de processos de licenciamento e decisões de investimento em novos empreendimentos.

Desenvolvimento de minas exige planejamento de longo prazo

O relatório destaca que projetos de mineração de urânio podem exigir 15 a 20 anos entre as etapas iniciais de desenvolvimento e o início da produção. Por isso, decisões tomadas no presente podem influenciar a disponibilidade do combustível nuclear nas próximas décadas.

As agências apontam a necessidade de investimentos contínuos, processos de licenciamento realizados em tempo adequado e condições econômicas que permitam a continuidade das atividades de exploração e produção.

Os contratos de longo prazo também são apontados como um mecanismo relevante para oferecer previsibilidade aos produtores e consumidores de urânio. Segundo o relatório, condições de mercado capazes de sustentar novos investimentos são necessárias para apoiar decisões finais sobre projetos de mineração.

Expansão nuclear amplia necessidade de combustível

A avaliação considera o crescimento previsto da capacidade de geração nuclear até 2050. A expansão da frota de reatores aumenta, consequentemente, a necessidade de fornecimento de urânio para abastecer as unidades existentes e futuras.

O relatório também considera a necessidade de inovação nas etapas de extração e processamento do urânio, especialmente diante das exigências de novos projetos e da evolução do setor nuclear.

A publicação de 2026 corresponde à 31ª edição do relatório conjunto produzido pela NEA/OCDE e pela AIEA. A série acompanha periodicamente as condições dos recursos, da produção e da demanda mundial de urânio.

Para as duas organizações, a disponibilidade geológica de urânio constitui apenas uma das condições necessárias para atender à demanda futura. A transformação desses recursos em produção depende de capital, desenvolvimento de projetos, licenciamento, infraestrutura, tecnologia e condições contratuais de longo prazo.

*Com informações da ONU News.


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