O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se nesta segunda-feira (09/12/2024), em Nova York, para tratar da crise na Síria após a queda do presidente Bashar al-Assad. A sessão, convocada pela Rússia, debateu as implicações da nova conjuntura política e humanitária no país. Os representantes concordaram sobre a necessidade de manter a integridade territorial síria, proteger civis e assegurar a chegada de ajuda humanitária.
O embaixador russo, Vassili Nebenzia, destacou a unanimidade do conselho em relação a esses princípios. Do lado dos Estados Unidos, o vice-embaixador Robert Wood descreveu a situação como volátil, enfatizando a imprevisibilidade dos próximos passos no país. Os membros do conselho discutem a emissão de uma declaração conjunta sobre o tema.
Entre os tópicos abordados esteve o grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), responsável pela coalizão rebelde que depôs Assad. Não houve avanços nas discussões sobre a possível retirada do HTS da lista de sanções da ONU. Desde o início do conflito sírio, iniciado em 2011, as deliberações no Conselho de Segurança têm enfrentado impasses devido a vetos de membros permanentes.
Israel justificou suas recentes operações na Síria como medidas de defesa, especialmente na região das Colinas de Golã. O governo sírio, por sua vez, acusou Israel de se aproveitar da transição política. O embaixador sírio na ONU, Koussay Aldahhak, descreveu a nova fase do país como uma oportunidade para reconstruir sob princípios de igualdade e democracia.
A queda de Assad também trouxe à tona a situação dos refugiados sírios. O Alto Comissário da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, destacou que a decisão de retorno deve ser baseada na garantia de segurança e direitos humanos. Enquanto alguns países europeus revisam pedidos de asilo, o ACNUR afirmou que continuará a organizar retornos voluntários de maneira segura e ordenada.
Outro ponto abordado foi o sequestro do jornalista americano Austin Tice, desaparecido desde 2012 na Síria. Autoridades dos Estados Unidos intensificaram os esforços para localizá-lo, com negociações em curso para sua libertação.
*Com informações da RFI.








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