O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros, a Selic, para 12,25% ao ano, em um movimento que surpreendeu o mercado financeiro. A alta de 1 ponto percentual foi justificada pelas incertezas relacionadas à inflação e ao cenário fiscal e monetário global. Esta é a terceira elevação consecutiva da Selic, consolidando um ciclo de aperto monetário após meses de redução da taxa.
Motivações da decisão
Segundo comunicado do Copom, a decisão reflete a necessidade de conter a inflação e mitigar os impactos das incertezas externas, como a alta do dólar, e internas, ligadas à política fiscal do governo. O comitê indicou a possibilidade de novas elevações de 1 ponto percentual nas reuniões de janeiro e março de 2025, caso os cenários se mantenham.
“A percepção dos agentes econômicos sobre o recente pacote fiscal teve impacto significativo nas expectativas de inflação e na taxa de câmbio. Esse cenário exige uma postura mais contracionista”, afirmou o comunicado do Copom.
Impactos na inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o IPCA registrou alta acumulada de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,5% estabelecida para este ano. Apesar de uma desaceleração nos combustíveis e na energia elétrica, os alimentos e as passagens aéreas continuam a pressionar o indicador.
Projeções do mercado financeiro, divulgadas no boletim Focus, indicam que a inflação pode fechar o ano em 4,84%, superando o teto da meta. Para 2025 e 2026, o Banco Central projeta redução gradativa do IPCA para 4,5% e 4%, respectivamente.
Reação do setor produtivo
Entidades da indústria, do comércio e centrais sindicais reagiram negativamente à decisão do Copom. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a medida como “injustificável” diante da recente desaceleração da inflação. “Intensificar o ritmo de alta dos juros não faz sentido no atual contexto econômico”, afirmou a entidade.
A Associação Paulista de Supermercados (Apas) ressaltou que, embora a alta da Selic ajude a conter a inflação, prejudica o consumo e a produção.
“O aumento dos juros perpetua os entraves estruturais ao desenvolvimento do país”, avaliou Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas.
Por outro lado, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) considerou a decisão alinhada às expectativas do mercado, destacando que a política monetária contracionista é necessária para combater as incertezas fiscais e externas.
Críticas políticas
A presidenta do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada Gleisi Hoffmann, criticou duramente a medida, afirmando que a alta da Selic é “insana” e prejudica o crescimento econômico.
“A decisão do Banco Central custa cerca de R$ 50 bilhões à dívida pública e sufoca a economia”, afirmou a parlamentar.
Centrais sindicais também manifestaram repúdio à decisão. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) criticou o impacto dos juros elevados sobre o emprego e a renda, classificando a gestão de Roberto Campos Neto como prejudicial ao desenvolvimento do país.
Contexto histórico e perspectivas
A Selic atingiu 13,75% ao ano em agosto de 2022 e foi reduzida gradualmente até maio de 2024, quando chegou a 10,5%. Desde então, o Copom retomou a alta dos juros, refletindo as pressões inflacionárias persistentes. O novo ciclo de aperto monetário deve se estender até o primeiro trimestre de 2025, caso as condições econômicas não apresentem melhoras significativas.










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