Damasco cai; Rebeldes sírios anunciam queda do Governo de Bashar al-Assad

Rebeldes sírios anunciaram neste domingo (09/12/2024) a captura da capital Damasco e a queda do presidente Bashar al-Assad, pondo fim a mais de cinco décadas de domínio da família Assad. A ofensiva liderada pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), uma coalizão de radicais islâmicos apoiados pela Turquia, consolidou-se após a tomada de diversas cidades estratégicas em poucos dias. O paradeiro de Assad permanece desconhecido, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Nas ruas da capital, celebrações tomaram conta da Praça Umayyad, onde manifestantes derrubaram e destruíram uma estátua de Hafez al-Assad, ex-presidente e pai de Bashar, que governou o país entre 1971 e 2000. Em comunicado transmitido pela televisão pública, os insurgentes declararam a “libertação” de Damasco e pediram aos cidadãos para salvaguardarem os bens do Estado. Além disso, foi anunciado que todos os prisioneiros “detidos injustamente” foram libertados.

O avanço rebelde começou em 27 de novembro, partindo da província de Idlib, reduto insurgente no noroeste da Síria. Em cerca de dez dias, as forças do governo sofreram derrotas significativas em Aleppo, Hama e Homs, culminando na captura da capital. A ofensiva ocorreu apesar dos ataques aéreos apoiados pela Rússia, principal aliada do regime.

O Hezbollah libanês, outro aliado de Assad, iniciou a retirada de suas forças dos arredores de Damasco e de outras regiões estratégicas. Em paralelo, as Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas por curdos, foram mobilizadas para áreas no leste do país após o recuo das tropas governamentais.

O conflito, que teve início em 2011 como protestos pró-democracia, escalou para uma guerra civil marcada por intervenção estrangeira e divisões internas. Desde então, mais de meio milhão de pessoas morreram, e milhões foram deslocadas. O regime de Assad, com apoio do Irã e da Rússia, havia conseguido retomar grande parte do território até esta ofensiva.

O primeiro-ministro sírio, Mohamed al-Jalali, afirmou, em vídeo publicado em redes sociais, estar disposto a cooperar com uma eventual nova liderança escolhida pelo povo. Ele se apresentou na sede do governo em Damasco para discutir a transição de poder.

No plano internacional, os acontecimentos são acompanhados de perto. A Casa Branca informou que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, monitora a situação.

Com o apelo para o retorno dos deslocados ao país, os rebeldes destacaram que este é o início de uma nova era para a Síria. Contudo, o futuro político e a estabilidade da região permanecem incertos, em meio à multiplicidade de interesses internos e externos.

1. Contexto Geral

  • Evento principal: Tomada de Damasco e queda do presidente Bashar al-Assad.
  • Data do anúncio: 8 de dezembro de 2024.
  • Liderança rebelde: Hayat Tahrir al-Sham (HTS), coalizão apoiada pela Turquia.
  • Início da ofensiva: 27 de novembro de 2024.

2. Desdobramentos na Capital

  • Declarações rebeldes: Libertação de Damasco, fim do regime, e pedido para salvaguardar bens públicos.
  • Ação simbólica: Derrubada de estátuas de Hafez al-Assad, ex-presidente.
  • Reações populares: Celebrações na Praça Umayyad com gritos de “Allah Akbar” e tiros para o alto.

3. Situação de Bashar al-Assad e do Regime

  • Paradeiro de Assad: Desconhecido; rumores de fuga pelo aeroporto de Damasco.
  • Apoio ao regime: Retirada do Hezbollah das regiões de Damasco e Homs.
  • Forças do regime: Colapso rápido nas principais cidades, incluindo Aleppo, Hama e Homs.

4. Impactos no Território Sírio

  • Cidades capturadas: Aleppo, Hama, Homs e Damasco.
  • Outros desdobramentos: Retirada das tropas do governo de Daraa e Deir Ezzor.
  • Presença curda: Mobilização das Forças Democráticas Sírias (FDS) para o leste do país.

5. Aspectos Históricos e Humanitários

  • Tempo de regime Assad: Mais de cinco décadas sob a família Assad.
  • Guerra civil: 13 anos de conflito, iniciado em 2011 como protestos pró-democracia.
  • Consequências humanitárias: Meio milhão de mortes e milhões de deslocados.

6. Repercussões Internacionais

  • Posição dos EUA: Monitoramento da situação pelo presidente Joe Biden.
  • Aliados do regime: Apoio histórico da Rússia, Irã e Hezbollah; retração diante da ofensiva rebelde.
  • Cessar-fogo anterior: Acordo de 2020 entre Ancara e Moscou, que trouxe relativa calma ao noroeste.

&Com informações da RFI.


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