A líder indígena Nádia Akawã Tupinambá, de 56 anos, da Aldeia Tukum Tupinambá, localizada no distrito de Olivença, em Ilhéus, terá sua história retratada no filme-ritual “Ama mba’é Taba Ama”. Dirigido em parceria com a cineasta Gal Solaris, o documentário narrará as vivências de Nádia e de outros cinco integrantes da aldeia, explorando suas práticas culturais, desafios sociais e a luta pela preservação de seus territórios.
Desde a infância, Nádia conviveu com práticas de cura e autocuidado, aprendendo com a avó e a mãe, que eram Mulheres Medicina. Inspirada por esses ensinamentos, Nádia iniciou sua própria jornada como curandeira, utilizando plantas como artemísia, babosa e entrecasca de caju em seus rituais. Paralelamente, seguiu carreira na educação, ensinando crianças e jovens e formando professores de escolas indígenas em várias regiões da Bahia.
O documentário, que será lançado no primeiro semestre de 2026, abordará temas centrais para os Tupinambás de Olivença, como a demarcação de um território de 47 mil hectares e a realização da Peregrinação Tupinambá, evento tradicional da comunidade. Segundo a cineasta Gal Solaris, a escolha da Aldeia Tukum como cenário destaca a importância histórica dos Tupinambás, os primeiros a ter contato com colonizadores em 1500, e apresenta os impactos da urbanização nos territórios indígenas.
O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo e recebeu apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia. Recentemente, “Ama mba’é Taba Ama” foi premiado no 8º Encontro de Coprodução do Mercado (ECM+LAB) durante o Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM). A produção conquistou quatro prêmios, incluindo consultorias para a internacionalização do filme e apoio para a finalização do projeto.
Além de retratar os desafios enfrentados pelos povos originários, o filme também busca ampliar o debate sobre a preservação cultural e o respeito aos direitos dos povos indígenas, abordando questões como a educação, o uso sustentável de recursos naturais e as ameaças à integridade dos territórios sagrados.








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