A ameaça do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 100% aos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) caso não abandonem os planos de criar uma moeda alternativa ao dólar foi abordada pela professora Ana Garcia, especialista em relações internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Garcia ressaltou que, apesar da gravidade do anúncio, é improvável que as ameaças se concretizem no curto prazo, já que as iniciativas de desdolarização e de uso de moedas locais ainda são incipientes no bloco.
Trump, que assumirá a presidência dos Estados Unidos em janeiro, já havia manifestado anteriormente que os países do BRICS enfrentariam tarifas severas caso não descontinuassem as discussões sobre uma moeda própria para desafiar o domínio do dólar. Entretanto, Garcia afirmou que a criação de uma moeda única pelo BRICS ainda está longe de ser uma realidade, o que torna as ameaças de Trump mais um discurso do que uma ação concreta.
Apesar dessa avaliação, Garcia indicou que o tema representará um desafio para a presidência brasileira do BRICS em 2025. O Brasil, que assumirá a liderança do bloco no próximo ano, terá que lidar com a complexidade das relações comerciais e diplomáticas com os Estados Unidos e gerenciar possíveis tensões internas entre os países membros do BRICS. A análise de Garcia sugere que, embora a desdolarização do bloco seja um processo em andamento, a imposição de tarifas por parte dos EUA não deverá ser implementada de maneira imediata.
Em uma perspectiva mais ampla, o economista boliviano Fernando Romero afirmou que o governo de Trump poderá adotar medidas contra os países do BRICS e aqueles com laços estreitos com a Rússia e a China. Romero sublinhou que essa disputa geopolítica é uma continuidade de um embate entre o modelo neoliberal-capitalista, representado pelos EUA, e os países que compõem o BRICS. No entanto, o economista sugeriu cautela ao avaliar as medidas de Trump, recomendando que se aguardasse para ver se os Estados Unidos realmente avançariam com essas ações ou se seria possível trabalhar de forma cooperativa com a nova administração.
A entrada de novos membros no BRICS, como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, ao longo de 2024, também contribui para uma dinâmica mais complexa nas relações do bloco com o resto do mundo. Em 2025, o Brasil assumirá a presidência do BRICS, e a questão das tarifas de Trump pode se tornar um ponto central nas negociações entre os membros da associação e seus parceiros internacionais.
*Com informações da Sputnik News.
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