Análise aponta oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro em meio a tensões comerciais dos Estados Unidos

As políticas protecionistas de Donald Trump, com foco em restrições ao comércio com a China, estão sendo acompanhadas com atenção pelo agronegócio brasileiro. Segundo a analista Neusa Maria Bojikian, do Programa de Pós-Doutorado da Unicamp, há espaço para que o Brasil amplie sua participação no mercado chinês, mas o contexto apresenta desafios significativos.

O primeiro governo Trump impôs barreiras tarifárias a produtos chineses, o que beneficiou temporariamente o Brasil como fornecedor de commodities. Entretanto, Bojikian alerta que esse tipo de ganho pode ser efêmero, já que o país estaria sujeito a retaliações econômicas. Entre os setores que poderiam ser afetados estão tecnologia, defesa e energia, com empresas brasileiras enfrentando dificuldades de acesso ao mercado norte-americano.

Outro ponto destacado pela pesquisadora é o impacto das tarifas sobre o aço trabalhado brasileiro, uma medida já adotada no passado que trouxe prejuízos à indústria manufatureira. Além disso, o setor de energia pode enfrentar pressões devido à dependência do Brasil de tecnologia estrangeira para exploração de petróleo e gás. Regiões como a margem equatorial e a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, são citadas como áreas de interesse estratégico, mas a exploração enfrentaria barreiras adicionais em um ambiente de maior controle norte-americano.

No âmbito internacional, Trump já indicou a intenção de impor tarifas elevadas às importações de países membros do Brics, caso o grupo avance na criação de uma moeda alternativa ao dólar. Para o Brasil, a postura americana pode dificultar projetos relacionados ao uso ampliado de moedas nacionais no comércio entre os integrantes do bloco, prejudicando a coordenação financeira e as iniciativas voltadas ao fortalecimento econômico conjunto.

Apesar da possibilidade de novas demandas por produtos agrícolas brasileiros no mercado chinês, Bojikian argumenta que as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos apresentam um equilíbrio delicado. Com uma balança comercial deficitária para o Brasil, medidas tarifárias podem impactar negativamente a economia americana, elevando custos internos e contrariando interesses dos consumidores.

Por fim, a analista ressalta que o governo brasileiro deve adotar estratégias cautelosas para evitar pressões excessivas e promover uma inserção equilibrada no mercado global. Nesse contexto, a diversificação das parcerias comerciais e o fortalecimento de setores estratégicos são considerados essenciais.

*Com informações da RFI.


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