Déficit primário do Governo Central totaliza R$ 43 bilhões em 2024

O Governo Central, composto pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registrou um déficit primário de R$ 43 bilhões em 2024, representando 0,36% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme os dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Esse valor está muito abaixo do déficit de R$ 228,5 bilhões de 2023, que foi impulsionado pelo pagamento de precatórios atrasados. Em relação à projeção de R$ 55,4 bilhões negativa, realizada pelos analistas de mercado, o resultado foi considerado melhor do que o esperado.

O resultado primário é uma medida que reflete a diferença entre as receitas e as despesas do Governo Central, excluindo os pagamentos de juros sobre a dívida pública. No caso de 2024, excluindo gastos extraordinários, o déficit primário totalizou R$ 11 bilhões (0,09% do PIB), um valor dentro da margem de tolerância estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, que permitia um déficit de até R$ 28,75 bilhões.

Em dezembro de 2024, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 24 bilhões, o que superou a previsão de R$ 17,76 bilhões feita pelo Prisma Fiscal. No mesmo mês de 2023, o Governo havia registrado um déficit de R$ 116 bilhões devido ao pagamento de precatórios suspensos pelo governo anterior.

Embora o resultado fiscal tenha sido positivo, a execução das receitas e despesas também apresentou variações. Em termos de receitas, o Governo obteve uma arrecadação recorde em 2024, impulsionada por fontes extraordinárias como a taxação de fundos exclusivos e o crescimento econômico. As receitas líquidas aumentaram 13,9% em relação ao ano anterior, com um crescimento real de 9%. As receitas administradas, que se referem ao pagamento de tributos, subiram 12,5% ajustadas pela inflação.

Por outro lado, as despesas totais aumentaram 3,5% em valores nominais, mas caíram 0,7% quando descontada a inflação. A queda foi principalmente causada pela ausência de pagamento de precatórios em 2024, o que havia ocorrido no final de 2023. No entanto, o crescimento das transferências sociais e a política de valorização do salário mínimo impulsionaram os gastos, que apresentaram variação significativa, especialmente no pagamento de benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que aumentou 14,9% acima da inflação.

A execução orçamentária foi afetada por alguns fatores como o empoçamento de R$ 12,5 bilhões, que são recursos empenhados mas não gastos pelo governo devido a limitações de remanejamento de verbas. Apesar dessas restrições, o aumento da arrecadação permitiu que o Governo Central limitasse o crescimento do déficit, atingindo um resultado menos negativo do que o projetado.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading