O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), outrora uma das maiores forças políticas do Brasil, enfrenta uma crise que se reflete em sua perda de representatividade desde 2016. Esse cenário levou a lideranças tucanas a discutir alternativas, incluindo fusão, federação ou incorporação a outras legendas. O deputado federal Aécio Neves, um dos principais nomes do partido, confirmou o andamento dessas conversas, destacando a busca por uma aliança ao centro.
Nas eleições municipais de 2024, o PSDB elegeu 273 prefeitos, uma queda de 65,7% em relação a 2016, quando venceu em 799 municípios. Além disso, pela primeira vez em sua história, o partido não conseguiu eleger nenhum vereador. Esse declínio o deslocou da posição de legenda grande para a de média, alimentando temores de um possível rebaixamento ao status de partido nanico.
Críticas à Cooptação de Lideranças
Aécio Neves destacou preocupação com o que denominou “cooptação pessoal” de lideranças tucanas, sem uma discussão aprofundada sobre um projeto nacional. Ele afirmou que tais práticas prejudicam a unidade partidária e dificultam a construção de alianças fundamentadas em objetivos compartilhados.
“Nos incomoda muito essa busca de uma cooptação pessoal de lideranças do PSDB sem a discussão de um projeto para o Brasil”, declarou.
Segundo a Folha de S.Paulo, partidos como MDB, Solidariedade e Podemos estão entre os que já dialogaram com os tucanos sobre possíveis uniões.
Impacto Histórico e Contexto Político
O PSDB foi fundado em 1988 e teve papel central em diversos momentos da história recente do Brasil, contando em seu quadro com figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro José Serra. O partido governou o país por dois mandatos consecutivos, entre 1995 e 2002, e liderou diversas capitais e estados importantes.
A decadência começou após a derrota nas eleições presidenciais de 2014, quando Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff (PT). Desde então, disputas internas, escândalos de corrupção e a polarização política contribuíram para a fragilização da legenda. A Lava Jato, por exemplo, expôs vínculos de lideranças tucanas com práticas irregulares, intensificando a crise de credibilidade.
Cenários do PSDB
O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) enfrenta desafios significativos no cenário político atual, tanto nacional quanto na Bahia. Nos últimos anos, o partido tem buscado estratégias para reverter seu declínio e redefinir sua identidade política.
Em julho de 2023, o PSDB iniciou esforços para conter seu encolhimento e recuperar sua identidade. Na Bahia, o partido, que tradicionalmente apoiava a base do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), considerou a possibilidade de aliar-se ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) em busca de sobrevivência política. Essa mudança de postura reflete a busca por um novo posicionamento no espectro político, após a perda de protagonismo para partidos mais alinhados ideologicamente à direita.
Em Salvador, lideranças do PSDB, como o ex-prefeito Antônio Imbassahy, discutiram a possibilidade de lançar candidaturas próprias nas eleições municipais de 2024. O partido também fortaleceu suas fileiras com a filiação de figuras influentes, como o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz, ampliando sua capacidade de diálogo com diferentes partidos e esferas de governo.
Em Feira de Santana, o PSDB consolidou sua presença política com a eleição de José Ronaldo de Carvalho para seu quinto mandato como prefeito, tendo Pablo Roberto como vice-prefeito. A dupla, eleita no primeiro turno com mais de 165 mil votos, combina experiência e renovação, comprometendo-se a enfrentar desafios em áreas prioritárias como saúde, educação e infraestrutura.
No âmbito nacional, o partido tem considerado alternativas para evitar sua marginalização, incluindo negociações para fusões ou federações com outras siglas. Lideranças como o deputado Aécio Neves confirmaram essas discussões, embora critiquem práticas de cooptação que possam ameaçar a unidade interna do partido.
Em resumo, o PSDB está em um processo de reestruturação e busca de novas estratégias para recuperar sua relevância política, tanto na Bahia quanto no cenário nacional, enfrentando desafios internos e externos para redefinir seu papel na política brasileira.
Written by
Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, com área de concentração em Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). É Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e ex-aluno especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, sendo filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ – Registro nº 14.405), à Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ – Registro nº 4.518) e à Associação Bahiana de Imprensa (ABI-BA). É diretor e editor do Jornal Grande Bahia (JGB). Integra a Maçonaria regular, exercendo o cargo de Mestre Instalado da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Maçônica ∴ Harmonia, Luz e Sigilo, nº 46.
Deixe um comentário