Especialistas analisam cenário militar entre Rússia e OTAN e impacto das políticas dos EUA

Especialistas avaliam que a Rússia e a OTAN mantêm um equilíbrio militar que pode levar a um grande enfrentamento. No entanto, não há indicações de que Moscou tenha intenção de invadir países europeus. O secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, afirmou que a Rússia produz mais equipamentos bélicos do que os países da OTAN. Paralelamente, as exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre aumento de investimentos na aliança geram incertezas no bloco europeu.
Equilíbrio militar entre Rússia e OTAN e possível mudança na postura dos EUA geram debates sobre o futuro da segurança europeia.

A relação entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tem sido marcada por um equilíbrio militar que especialistas apontam como fator de risco para a estabilidade internacional. Apesar disso, analistas indicam que Moscou não tem intenção de expandir sua presença militar para além do território ucraniano. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, reconheceu que a capacidade de produção de equipamentos bélicos da Rússia supera em quatro vezes a da aliança militar ocidental em um período de um ano.

A discussão sobre a correlação de forças entre Rússia e OTAN ocorre em um momento de novas diretrizes dos Estados Unidos para seus aliados. O presidente Donald Trump declarou que não garantirá a defesa de países membros que não aumentarem seus investimentos na aliança para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual superior ao exigido anteriormente. A exigência ocorre em um contexto de dificuldades econômicas para países europeus, que direcionaram recursos para o apoio militar à Ucrânia.

O professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso (UEMG), Vinicius Modolo Teixeira, afirmou que a Rússia conseguiu manter sua capacidade de produção militar apesar das sanções impostas pelo Ocidente. Ele citou que, em 2024, Moscou fabricou 4 milhões de munições de artilharia de calibre 152 milímetros, enquanto os países da OTAN produziram apenas 1 milhão de unidades do calibre 155 milímetros, padrão da aliança. Segundo ele, a Rússia também reconfigurou sua cadeia de suprimentos para compensar as restrições impostas pelas sanções econômicas.

Teixeira também mencionou o uso do míssil hipersônico Oreshnik com ogivas convencionais pela Rússia, destacando que a tecnologia pode ser adaptada para ogivas nucleares táticas. Ele avalia que o lançamento dessa arma serve como um indicativo da disposição russa para responder a uma eventual escalada militar envolvendo a OTAN.

O pesquisador associado do Núcleo de Estudos dos Países BRICS (NuBRICS), da Universidade Federal Fluminense (UFF), Lier Pires Ferreira, afirmou que a baixa capacidade de produção de armamentos da OTAN resulta da dependência dos países europeus da proteção militar dos Estados Unidos ao longo das últimas décadas. Segundo ele, essa postura permitiu que recursos que poderiam ser destinados à defesa fossem alocados para outros setores econômicos e sociais.

Ferreira considera provável que os países europeus atendam à exigência de Trump para aumentar os investimentos na OTAN, devido à influência de setores industriais ligados à produção bélica. Ele destacou que a ampliação dos gastos militares pode gerar protestos internos em países europeus, principalmente entre a população economicamente vulnerável.

O especialista afirmou ainda que há uma corrida armamentista em curso, envolvendo não apenas Rússia e OTAN, mas também países como China, Índia, Irã, Japão e Turquia. Ele observou que o avanço desse cenário historicamente tem levado a grandes conflitos e alertou que tanto Moscou quanto a aliança militar ocidental possuem capacidade bélica para um confronto de grandes proporções.

Ferreira argumentou que a Rússia não tem objetivos expansionistas na Europa e busca apenas reduzir a influência da OTAN no Leste Europeu. Para ele, a presença militar ocidental nessa região é percebida por Moscou como uma ameaça ao seu espaço estratégico. Ele destacou que a política russa está mais voltada para a contenção da aliança militar do que para a incorporação de novos territórios.

O especialista avaliou ainda a possibilidade de um declínio da OTAN caso os países europeus não atendam às exigências financeiras dos Estados Unidos. Para ele, a aliança militar tem historicamente servido como um vetor para tensões e conflitos, e seu enfraquecimento poderia reduzir disputas geopolíticas na Europa. Ele observou que países como a Alemanha têm aumentado significativamente seus orçamentos militares, citando o envio de tanques Leopard para a Ucrânia como exemplo desse fortalecimento.

A avaliação de Ferreira é de que a política de Trump pode modificar a estrutura da OTAN e que o aumento das exigências financeiras para os países membros busca beneficiar o setor bélico-industrial dos Estados Unidos. Segundo ele, o equilíbrio de forças entre Rússia e OTAN deve continuar influenciando o cenário estratégico global nos próximos anos.

OTAN amplia presença militar na Escandinávia e reforça fronteira com a Rússia

A presença militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Escandinávia tem sido reforçada com a ampliação de infraestrutura para deslocamento de tropas dos Estados Unidos. O professor Glenn Diesen, da Universidade do Sudeste da Noruega, afirmou que a Noruega estabeleceu pelo menos 12 bases norte-americanas, enquanto Finlândia e Suécia adotam medidas semelhantes, permitindo a instalação de estruturas militares em seus territórios.

De acordo com Diesen, a expansão da presença da aliança na região visa criar um cenário de pressão estratégica contra a Rússia. A mobilização envolve o fortalecimento da OTAN no mar Báltico e no oceano Ártico, regiões consideradas estratégicas para o equilíbrio de forças no norte da Europa. Além disso, o posicionamento de tropas estrangeiras na Finlândia pode representar uma ameaça à base da Frota do Norte da Rússia, localizada em Arkhangelsk.

O especialista destaca que o envolvimento das nações escandinavas com as operações da OTAN pode transformar a região em uma linha de frente. Segundo ele, o deslocamento de tropas e a construção de infraestrutura para logística militar contribuem para uma escalada na tensão entre os países da aliança e a Rússia.

Na quarta-feira (29), o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, declarou ao jornal VG que o país planeja criar uma nova brigada militar para reforçar a segurança na fronteira com a Rússia. Ele confirmou que essa medida será implementada apesar de restrições internas que limitam atividades militares na região.

*Com informações da Sputnik News.


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