Especialistas projetam perspectivas para o Banco Central sob a liderança de Gabriel Galípolo

O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua primeira reunião de 2025 sob a presidência de Gabriel Galípolo. Economistas avaliam a condução da política monetária, a expectativa de elevação da taxa Selic e os impactos na economia. A relação entre o novo presidente do Banco Central e o governo federal também é analisada. Especialistas discutem alternativas para o controle da inflação.
Gabriel Galípolo assume a presidência do Banco Central e conduz sua primeira reunião do Copom, com expectativa de elevação da taxa Selic e impactos na economia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza sua primeira reunião de 2025 sob a presidência de Gabriel Galípolo. O encontro ocorre em um cenário de expectativa quanto à condução da política monetária, com projeções que indicam um aumento da taxa básica de juros, Selic, em um ponto percentual, passando de 12,25% para 13,25% ao ano. A medida, já antecipada pelo mercado, tem sido apontada como necessária para conter pressões inflacionárias.

Economistas consultados avaliam que Galípolo seguirá as diretrizes estabelecidas nas reuniões anteriores do Copom, sem mudanças abruptas na política monetária. Para Pedro Faria, doutor em história econômica, a tendência é de manutenção do curso previsto. Haroldo da Silva, vice-presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, considera provável a continuidade da alta dos juros, com novos aumentos já sinalizados.

A relação entre o novo presidente do Banco Central e o governo federal é outro ponto analisado. O aumento da taxa de juros gerou tensões entre o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, especialistas avaliam que a nomeação de Galípolo pelo atual governo tende a garantir maior alinhamento e reduzir possíveis divergências.

Os impactos da elevação da Selic se estendem a diferentes setores econômicos. Na indústria, há um aumento de custos e redução da margem de lucro. O setor de serviços enfrenta encarecimento do crédito, afetando o consumo. Na agricultura, ainda que existam taxas subsidiadas, o custo do financiamento se eleva. No mercado imobiliário, a alta dos juros restringe o crédito habitacional e afeta a construção civil. Além disso, cada ponto percentual adicional na Selic gera um aumento no déficit nominal estimado em R$ 40 bilhões ao ano, impactando o endividamento público.

Embora a justificativa para o aperto monetário seja o controle da inflação, especialistas defendem a adoção de medidas complementares. Faria propõe a criação de fundos estabilizadores, tributando exportadores que obtêm lucros elevados em períodos de alta nos preços internacionais para subsidiar cadeias produtivas locais. Silva argumenta que a redução da inflação não deve se basear exclusivamente na elevação da taxa de juros, destacando a importância de fatores como a taxa de câmbio e a política fiscal.

O cenário externo também influencia a política monetária brasileira. A administração de Donald Trump nos Estados Unidos pode levar a medidas protecionistas e aumento da inflação naquele país, resultando em elevação dos juros pelo Federal Reserve. Esse movimento tende a pressionar outras economias a ajustarem suas taxas para evitar a fuga de capitais. No caso brasileiro, apesar das reservas internacionais suficientes para garantir estabilidade, o impacto global da política monetária americana pode resultar em novos ajustes na Selic.

*Com informações da Sputnik News.


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