O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações contundentes sobre sua relação com o Brasil e a América Latina, ao afirmar, nesta segunda-feira (20/01/2025), que os Estados Unidos “não precisam” do Brasil e de outros países da região. A fala foi dada durante uma coletiva de imprensa após a assinatura de decretos em seu primeiro dia de mandato.
Trump e a relação com o Brasil e a América Latina
Em uma entrevista coletiva no Salão Oval da Casa Branca, Trump foi questionado pela jornalista Raquel Krähenbühl, da Globonews, sobre a proposta de paz para o conflito na Ucrânia elaborada pela China e pelo Brasil. O presidente afirmou desconhecer a iniciativa e, ao ser indagado sobre a relação com o Brasil, respondeu que “eles precisam muito mais de nós do que nós precisamos deles. Na verdade, não precisamos deles, e o mundo todo precisa de nós.”
Essas declarações refletem o tom combativo que Trump tem adotado em relação às relações internacionais, especialmente em sua abordagem econômica e comercial. Durante a campanha e agora já no exercício de seu novo mandato, Trump reiterou sua postura de adotar medidas protecionistas, visando aplicar tarifas sobre diversos produtos importados de países, incluindo o Brasil. Para o México e o Canadá, ele anunciou a imposição de tarifas de 25% a partir de fevereiro de 2025.
Medidas internas e diplomacia
No contexto doméstico, Trump assinou uma série de decretos no primeiro dia de sua nova presidência. Entre as medidas de maior destaque, estão a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a revogação de 78 ações executivas de seu antecessor, Joe Biden, e a imposição de restrições à imigração, com a intensificação das políticas de fiscalização.
No campo da diplomacia, a expectativa é de um pragmatismo nas relações dos EUA com o Brasil. Fontes do governo brasileiro indicam que o país não será uma prioridade para o novo presidente, em contraste com as políticas de seu antecessor, que priorizou o engajamento com a América Latina. A gestão Trump, portanto, deve se concentrar em temas como Cuba, Venezuela e o Canal do Panamá, enquanto a relação com o Brasil será moldada pela busca por uma cooperação mais focada em questões econômicas e estratégicas, como o enfrentamento da crescente presença chinesa na região.
O futuro das relações comerciais e políticas
O novo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o enviado para a América Latina, Mauricio Claver-Carone, serão os principais responsáveis pela condução das relações com o continente. Claver-Carone, que atuou como presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), é visto como alguém com uma abordagem mais voltada para o investimento e fortalecimento de parcerias, ao invés de pressionar o Brasil com tarifas ou medidas agressivas. Esse movimento pode ser interpretado como uma tentativa de contrabalançar a influência chinesa na região, ao mesmo tempo em que busca consolidar os laços econômicos e comerciais com países latino-americanos.
*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo.











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