Antonia relembra sacrifício na Olimpíada de Paris: “Eu joguei pelas companheiras, pela família”

A jogadora Antonia, lateral e zagueira da Seleção Brasileira, protagonizou uma das cenas mais emocionantes da Olimpíada de Paris 2024. Durante o jogo contra a Espanha, em 31 de julho, pela fase de grupos, ela enfrentou uma fratura na fíbula da perna esquerda, mas continuou em campo por 14 minutos, mesmo com dor intensa, desempenhando um papel crucial para a classificação da Seleção Brasileira à próxima fase.

Lesão grave, mas persistência no campo

O jogo, realizado em Bordeaux, estava em um momento crítico para o Brasil, que perdia por 2 a 0. A expulsão de Marta e a grande atuação das adversárias colocavam a equipe em uma situação delicada. Antonia sofreu um choque com a jogadora Gabi Portilho e, apesar das intensas dores, não desistiu. Um exame feito à beira do campo não detectou lesão grave naquele momento, permitindo que a atleta seguisse em campo, mesmo com a fratura confirmada mais tarde por exames de imagem.

Nos minutos finais da partida, Antonia jogou praticamente parada, mantendo a pressão sobre a defesa adversária e criando um impacto psicológico significativo nas jogadoras espanholas, que precisaram dedicar atenção extra à sua presença, mesmo sem a necessidade de interação com a bola. Esse esforço foi determinante para que o Brasil avançasse para a fase de mata-mata, onde enfrentaria novamente a Espanha na semifinal e conquistaria uma goleada de 4 a 2.

Reflexão sobre o sacrifício e superação

De volta aos treinos em Teresópolis, Antonia, atualmente jogadora do Real Madrid, recorda aquele momento com uma mensagem de superação e comprometimento.

“Foi um jogo que me marcou muito, porque ali todos viram que a Antonia é entrega, é garra. Eu tinha dor, mas sabia que, pelas minhas companheiras, se a Seleção conseguisse passar de fase, elas iriam dar esse retorno para mim e para as outras meninas que se contundiram, como a Tamires e a Rafaelle”, afirmou.

Antonia também relembrou que não sabia da gravidade da fratura na hora do choque.

“Sem dúvida, a gente não sabia que se tratava de uma fratura. No calor do jogo, pensamos que fosse um problema muscular. Se soubéssemos da fratura, não teria continuado em campo, porque a saúde do atleta é sempre a prioridade”, explicou.

Segundo a jogadora, a emoção de representar o Brasil e a motivação pelas suas companheiras e pela família a impulsionaram a seguir em campo, superando a dor.


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