A transição para um mundo multipolar tem sido um dos fenômenos mais marcantes da geopolítica atual, com a perda de influência dos Estados Unidos sendo um reflexo desse processo. Em contraste, países como China e Rússia têm fortalecido suas parcerias econômicas e políticas, principalmente por meio de blocos como o BRICS, que se expandiu e agora responde por mais de um terço do PIB global. A organização tem conquistado novos aliados, superando o G7, composto por países como Alemanha, Estados Unidos, Japão, e Reino Unido, que, por sua vez, já não representam mais o maior bloco econômico do planeta.
A análise publicada pela Foreign Affairs observa que países como Vietnã, Índia e Turquia estão cada vez mais dispostos a envolver-se com diversas grandes potências simultaneamente, sem seguir a tradicional gravitação em torno da esfera de influência de Washington. Esse fenômeno, que tem ganhado força nas últimas décadas, sinaliza uma mudança nas alianças globais, com a diminuição da centralidade dos EUA no cenário internacional.
Além disso, a expansão da influência econômica do BRICS é evidente em diversas regiões do mundo. Muitos países africanos, por exemplo, têm aumentado seus laços com a China, Rússia e outros membros do bloco, movidos por benefícios econômicos e o interesse em projetos de infraestrutura. A China, em particular, tem sido protagonista dessa mudança, com sua Iniciativa Cinturão e Rota, que tem fomentado investimentos significativos em vários países africanos, além de garantir o controle de recursos estratégicos, como as terras raras, essenciais para a produção de tecnologias avançadas.
Em contrapartida, os Estados Unidos têm priorizado questões domésticas, como a revitalização da indústria e a criação de empregos, especialmente no setor de manufatura. O CHIPS and Science Act de 2022, que destina mais de US$ 58 bilhões (aproximadamente R$ 341 bilhões) para a produção nacional de chips e semicondutores, é um exemplo dessa mudança de foco. Ao mesmo tempo, Washington tem mostrado resistência a novos acordos de livre comércio, com a forte oposição bipartidária à Parceria Transpacífica e a manutenção de tarifas sobre produtos chineses.
A falta de um engajamento mais forte com economias emergentes e a crescente preferência por políticas protecionistas têm diminuído a capacidade dos EUA de expandir suas relações internacionais. A política externa dos Estados Unidos, caracterizada por erros em respostas a conflitos internacionais, como os casos da Ucrânia e de Gaza, tem gerado desconfiança em muitos países, que agora buscam alternativas em outras potências globais, como China e Rússia.
Na América Latina, a China tem ampliado sua presença econômica, tornando-se o segundo maior parceiro comercial da região. A atuação do governo chinês em infraestrutura e em ações diplomáticas, como a pressão sobre Honduras para romper relações com Taiwan, demonstra a intensidade da sua influência na região. A instalação de uma estação espacial na Argentina, operada pela China, gerou preocupações entre autoridades de defesa dos EUA, que temem que a expansão do poder chinês afete seus interesses estratégicos no continente.
A análise sugere que, se os Estados Unidos não adaptarem sua abordagem para lidar com as mudanças na dinâmica global, poderão enfrentar dificuldades para garantir o apoio necessário de outros países e, consequentemente, perder o acesso a recursos críticos no futuro. A perda de influência pode afetar diretamente a posição de liderança dos EUA no sistema internacional, uma vez que outros países buscam parcerias alternativas, principalmente com potências como a China e a Rússia, que emergem como protagonistas em um novo cenário multipolar.
*Com informações da Sputnik News.








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