Neste domingo (23/02/2025), os eleitores alemães irão às urnas em meio a um cenário político marcado pela consolidação da extrema direita como uma força de relevância no país. Pesquisas recentes apontam que o bloco conservador, liderado pelos cristãos-democratas (CDU/CSU), se encontra à frente, com cerca de 30% das intenções de voto, seguido pela Alternativa para Alemanha (AfD), que alcança 20%. A coalizão liderada pelo Partido Social-Democrata (SPD) do chanceler Olaf Scholz ocupa a terceira posição, com 15% de apoio.
De acordo com o sociólogo Sérgio Costa, professor da Universidade Livre de Berlim, o quadro eleitoral está bem delineado, com poucas mudanças nas intenções de voto sendo esperadas. Costa observa que a volta do partido Die Linke ao Parlamento é uma novidade nesta eleição, uma vez que a legenda reconstituída alcançou 7% das intenções de voto, superando a cláusula de barreira de 5%. Em uma entrevista à RFI, o sociólogo enfatizou que o partido Democrata Cristão deve assumir a liderança, com a AfD ficando em segundo lugar.
A ascensão da AfD e fatores socioeconômicos
A crescente popularidade da AfD, partido de extrema direita, tem gerado preocupações tanto internas quanto externas, especialmente entre os países vizinhos da Alemanha. Sérgio Costa aponta diversos fatores que contribuem para o fortalecimento da legenda, como o descontentamento de setores conservadores com as políticas de gênero adotadas nas últimas duas décadas e as frustrações econômicas nas regiões da antiga Alemanha Oriental. A perda de competitividade dessas regiões desde a reunificação, em 1991, tem alimentado a insatisfação de muitos eleitores, um aspecto que a AfD soube explorar habilmente.
Além disso, Costa destaca que a AfD conseguiu canalizar frustrações de forma eficaz, associando-as à crescente presença de estrangeiros no país, com a imigração se tornando um tema central na campanha. O especialista observa que a xenofobia tem ganhado força na sociedade alemã, o que contribui para o apoio crescente à extrema direita.
Interferências externas e seus impactos
Outro fator relevante na disputa eleitoral foi a intervenção de figuras internacionais, como o empresário Elon Musk e o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que manifestaram apoio explícito à AfD. Costa considera que esse tipo de apoio pode ter um efeito reverso, especialmente entre eleitores indecisos, visto que a interferência externa é amplamente criticada pela sociedade alemã. Para os eleitores da AfD, a presença desses apoios pode reforçar suas convicções, mas para os indecisos, pode gerar desconfiança, o que pode prejudicar a legenda.
Possíveis coalizões e perspectivas de governabilidade
Com relação à formação do próximo governo, Costa prevê que a alternativa mais provável será uma grande coalizão entre a CDU e o SPD, com um total de 45% das intenções de voto. Ele também menciona que uma coalizão entre os cristãos-democratas e o Partido Verde, que ocupa a quarta posição nas pesquisas, também é possível, embora menos provável. De qualquer forma, a grande coalizão entre o bloco conservador e o SPD é vista como a solução mais viável para a governabilidade da Alemanha nos próximos anos.
*Com informações da RFI.







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