O Brasil segue entre os países mais desiguais do mundo, um fenômeno consolidado historicamente e influenciado por políticas públicas que, em diferentes momentos, promovem a redistribuição de renda ou aprofundam a concentração de recursos.
O Brasil entre os países mais desiguais do mundo
O coeficiente de Gini, indicador que mede a desigualdade de distribuição de renda, varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de riqueza. O Brasil apresenta um dos índices mais elevados, evidenciando a distribuição desigual dos recursos.
Ao longo das décadas, diferentes países conseguiram reduzir suas taxas de desigualdade por meio de medidas estruturais, enquanto o Brasil manteve uma trajetória instável, refletindo as dificuldades em implementar políticas eficazes e duradouras.
A multipolaridade das políticas públicas
A desigualdade econômica é influenciada por múltiplos fatores. Não existe uma única medida capaz de alterar substancialmente a distribuição de renda. Políticas públicas desempenham um papel central, podendo ser classificadas como progressivas ou regressivas:
- Políticas regressivas: Beneficiam majoritariamente os detentores de grandes fortunas e ampliam a desigualdade, como desonerações fiscais e subsídios setoriais.
- Políticas progressivas: Visam reduzir as desigualdades através de programas sociais, redistribuição de renda e garantia de acesso a serviços públicos essenciais.
Exemplos de políticas que aprofundam a desigualdade
Subsídios à instalação de energia renovável
Mecanismos de incentivo à energia solar são acessíveis principalmente para consumidores de alta renda. O impacto anual desses subsídios é de R$ 23 bilhões, financiados por todos os consumidores, incluindo aqueles em situação de vulnerabilidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a conta de luz pesa cinco vezes mais no orçamento de famílias pobres do que no de famílias ricas.
Políticas habitacionais e segregação social
As políticas urbanas limitam o acesso da população de baixa renda a áreas centrais, onde se concentram oportunidades econômicas e educacionais. Isso gera custos adicionais de transporte e perda de poder aquisitivo. Além disso, a restrição artificial ao crescimento do mercado imobiliário encarece aluguéis e moradias, prejudicando os grupos mais vulneráveis.
Falta de concorrência no transporte rodoviário
O transporte interestadual de passageiros no Brasil é historicamente dominado por poucas empresas, dificultando a livre concorrência. A Lei 12.996/2014 buscou alterar esse cenário, mas a expansão de operadores foi limitada. Mesmo com o crescimento entre 2020 e 2021, 66% dos mercados continuam operados por apenas uma empresa, restringindo a competição e impactando os preços das passagens.
Exemplos de políticas bem-sucedidas na redução da desigualdade
O Fundeb como mecanismo redistributivo
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) vincula os recursos da educação ao número de matrículas, beneficiando estados e municípios mais vulneráveis. Enquanto os 50% mais pobres concentram 9,31% da renda nacional, recebem entre 62% e 65,5% do gasto total em educação pública, ampliando o acesso à educação fundamental.
A reforma tributária e a redistribuição da carga fiscal
A reforma tributária propõe mecanismos para reduzir desigualdades, incluindo:
- Cashback tributário para consumidores de baixa renda.
- Mudança no local de arrecadação de impostos, distribuindo a receita para estados e municípios onde ocorre o consumo.
- Alíquotas reduzidas para produtos essenciais, beneficiando todas as classes sociais.
Análise
A persistência da desigualdade no Brasil é resultado de um modelo econômico e social que, apesar de algumas iniciativas redistributivas, ainda concentra recursos nas camadas mais ricas. A existência de políticas regressivas compromete os avanços de programas sociais, tornando necessária uma revisão das medidas para garantir maior equidade.











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