O ex-presidente Evo Morales, que governou a Bolívia de 2006 a 2019, anunciou nesta quarta-feira (05/02/2025) sua intenção de realizar uma marcha até La Paz, acompanhando milhares de apoiadores, com o objetivo de registrar sua candidatura presidencial para as eleições gerais de 17 de agosto. O ex-líder, que foi removido do Movimento ao Socialismo (MAS) – partido ao qual também pertence o presidente Luis Arce –, tem travado disputas constantes com o governo atual.
Durante um ato realizado na Federação de Produtores de Folha de Coca em Cochabamba, Morales afirmou:
“No dia do registro, dois dias antes do prazo, iremos milhares e milhares até La Paz para que eu possa me inscrever”.
A marcha ocorre em um contexto de tensão política no país, com o ex-presidente tentando consolidar sua candidatura, apesar da decisão do Tribunal Constitucional da Bolívia (TCP), que, em 2024, desqualificou Morales de disputar a presidência.
Morales também declarou que, caso não consiga realizar o registro, convidará a comunidade internacional para intervir e garantir o respeito às normas legais, insistindo na sua habilitação para a candidatura.
“Será um grande esforço até chegarmos a La Paz. Imaginem, se não permitirem nossa inscrição, vamos convidar a comunidade internacional para garantir o respeito às normas. Estamos habilitados e precisamos divulgar isso”, afirmou.
Além do impasse jurídico em relação à sua candidatura, Morales enfrenta outra complicação legal. Ele está sendo investigado por suspeita de envolvimento em um crime de tráfico de pessoas, relacionado a uma alegada relação amorosa com uma menor de idade, que engravidou em 2016. A situação é ainda mais delicada, pois há uma ordem de prisão contra o ex-presidente. Para evitar a detenção, Morales permanece refugiado em Cochabamba, onde conta com o apoio de camponeses produtores de folha de coca, um dos seus principais grupos de base.
Este movimento ocorre em um momento de crescente polarização política na Bolívia, com o ex-presidente buscando uma nova candidatura, enquanto o governo de Luis Arce enfrenta desafios internos e externos. A marcha de Morales simboliza a resistência do ex-líder frente aos obstáculos legais e políticos que tem enfrentado desde a sua saída do poder em 2019.
*Com informações da Sputnik News.








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