O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que as negociações entre Moscou e Kiev não podem ocorrer no momento, pois seria necessário primeiro revogar um decreto assinado pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no início da operação militar russa, que proíbe qualquer diálogo com Moscou. A declaração foi feita em entrevista ao canal Rossiya 1, na qual Putin reiterou que a guerra poderia terminar em pouco tempo se o Ocidente interrompesse o apoio militar e financeiro à Ucrânia.
Putin afirmou que, quando assinou o decreto que proíbe negociações, Zelensky ainda possuía legitimidade como presidente da Ucrânia. No entanto, com o término de seu mandato e a ausência de novas eleições presidenciais, o chefe de Estado russo considera que o líder ucraniano perdeu a autoridade para firmar acordos em nome do país. Segundo Putin, a revogação da medida poderia ser conduzida pelo presidente do Parlamento ucraniano, dentro do marco constitucional.
O presidente russo afirmou que a soberania da Ucrânia está comprometida devido à influência externa. Ele ressaltou que, no início do conflito, Moscou propôs a retirada das forças ucranianas das regiões de Lugansk e Donetsk para evitar combates, mas Kiev rejeitou a proposta e, segundo ele, foi incentivada por seus aliados a manter as hostilidades. Putin mencionou ainda que, em 2022, durante as negociações de Istambul, Zelensky teria sugerido um encontro pessoal para buscar uma solução, mas não houve avanços concretos.
Apesar da posição russa sobre a ilegitimidade de Zelensky, Putin indicou que, caso o governo ucraniano manifeste interesse real em negociar, a Rússia nomeará representantes para conduzir o processo. Ele enfatizou que a questão central não está na realização de diálogos preliminares, mas na validade jurídica de qualquer acordo assinado. Segundo Putin, até o momento, Moscou não identificou sinais de que Kiev esteja disposta a formalizar um tratado.
Putin também criticou os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pelo volume de recursos destinados à Ucrânia. Ele afirmou que os gastos dos países aliados de Kiev já superaram R$ 1 trilhão e que essa assistência prolonga a duração do conflito. Segundo o líder russo, a situação atual reforça a dependência da Ucrânia em relação às nações ocidentais e dificulta a possibilidade de uma solução negociada.
*Com informações da Sputnik News.











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