Quem é Adilson Simas: o jornalista que atravessou cinco décadas, preservou a memória de Feira de Santana e marcou época na imprensa local

O jornalista Adilson Simas, natural de Itaberaba e radicado em Feira de Santana desde a infância, construiu uma trajetória de mais de 50 anos de atuação no jornalismo, tornando-se uma das principais referências da imprensa local. Com passagens por diversos veículos impressos, atuação no rádio, incursões na literatura e participação institucional na administração pública, Simas faleceu no domingo, 12 de janeiro de 2025, aos 77 anos, em decorrência de complicações respiratórias, deixando um legado consolidado de profissionalismo, memória histórica e compromisso com a informação.

Infância, formação e primeiros passos no jornalismo

Nascido em 24 de agosto de 1947, em Itaberaba, Adilson Simas mudou-se para Feira de Santana em 1956, ainda criança, acompanhando a família. Na juventude, exerceu atividades no comércio local, experiência comum a muitos jovens da época, mas logo demonstrou inclinação para a escrita e para a comunicação.

O interesse pelo jornalismo se manifestou inicialmente por meio dos jornais estudantis, ambiente que funcionou como porta de entrada para a prática profissional. O início formal da carreira ocorreu no Jornal Situação, publicação que marcou sua estreia no noticiário local e lhe permitiu adquirir experiência em redação, apuração e cobertura cotidiana.

Consolidação profissional e atuação na imprensa feirense

A consolidação do nome de Adilson Simas no jornalismo ocorreu na década de 1970, com a instalação da sucursal do Diário de Notícias (DN) em Feira de Santana. Convidado pelo jornalista Antônio José Larangeira, Simas integrou a equipe do periódico, então um dos mais influentes da cidade.

Sua atuação foi caracterizada pela objetividade, pela versatilidade temática e pela capacidade de transitar entre diferentes editorias, incluindo polícia, esporte, política e sociedade. Esse perfil contribuiu para o reconhecimento profissional e para a construção de uma reputação pautada pelo rigor informativo e pelo respeito às fontes.

Ao longo das décadas seguintes, Adilson Simas passou por diversos veículos de comunicação impressos, entre eles Feira Hoje, Folha do Norte, Tribuna da Bahia, Diário da Feira, Tribuna Feirense e Folha do Estado, sempre mantendo presença ativa no debate público local e acompanhando as transformações do jornalismo regional.

Relação com a política local e atuação institucional

O profundo conhecimento da política municipal levou Adilson Simas a atuar como assessor de comunicação da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, durante a gestão do prefeito Colbert Martins da Silva. Nesse período, exerceu função estratégica na interlocução entre o poder público e a imprensa, acumulando experiência institucional sem romper com sua identidade profissional.

Simas também chegou a se candidatar a uma vaga na Câmara Municipal de Feira de Santana, mas não seguiu carreira política eletiva. Optou por permanecer no jornalismo, atuando como observador crítico do cenário político, posição que lhe permitia maior independência analítica e liberdade editorial.

Produção literária e preservação da memória esportiva

Além da imprensa diária, Adilson Simas dedicou-se à literatura, com destaque para o livro “A História do Fluminense de Feira”, lançado em 1971. A obra registra a trajetória do tradicional clube feirense e tornou-se referência para pesquisadores, torcedores e historiadores do esporte local.

A relevância do livro se manteve ao longo das décadas, motivando sua reedição em 2014, em resposta à demanda de novas gerações interessadas na memória esportiva da cidade. O trabalho reforçou o papel de Simas como guardião da história local, extrapolando os limites do jornalismo diário.

Atuação no rádio e produção digital

Adilson Simas também teve presença marcante no rádio, especialmente nas rádios Carioca e Sociedade, onde apresentou e colaborou em programas voltados ao esporte e aos temas sociais de Feira de Santana. A linguagem acessível e o domínio dos assuntos locais ampliaram seu alcance junto ao público.

Mesmo após enfrentar problemas de saúde, manteve-se ativo na produção de conteúdo por meio do blog “Por Simas” e da coluna “Feira em História”, publicada no site oficial da Prefeitura de Feira de Santana. Nessas plataformas, seguiu contribuindo para o registro da memória urbana e institucional do município.

Falecimento e repercussão

Adilson Simas faleceu no domingo, 12 de janeiro de 2025, após internação na UTI do Hospital Mater Dei Emec, em decorrência de complicações respiratórias. A morte do jornalista gerou repercussão entre profissionais da imprensa, autoridades locais e leitores, que destacaram sua trajetória ética e o papel desempenhado na consolidação do jornalismo feirense.

Legado, relevância e memória institucional

A trajetória de Adilson Simas se confunde com a própria história do jornalismo em Feira de Santana. Sua atuação atravessou diferentes fases da imprensa local, do predomínio dos jornais impressos às plataformas digitais, sempre mantendo compromisso com a informação objetiva e com o registro histórico da cidade.

O legado deixado por Simas vai além da produção jornalística cotidiana. Sua contribuição à memória esportiva, à documentação da política local e à preservação de episódios históricos confere relevância duradoura ao seu trabalho, especialmente em um contexto de fragilidade da memória institucional.

A ausência de profissionais com esse perfil evidencia uma tensão contemporânea: a dificuldade de conciliar imediatismo informativo com profundidade histórica. Nesse sentido, a obra e a trajetória de Adilson Simas permanecem como referência para o jornalismo regional e para futuras gerações.

Adilson Simas construiu uma carreira de mais de 50 anos no jornalismo de Feira de Santana, com atuação em jornais, rádio, literatura e comunicação institucional. Natural de Itaberaba, destacou-se pela objetividade, versatilidade editorial e preservação da memória local. Autor de obra histórica sobre o Fluminense de Feira, manteve produção ativa até os últimos anos. Faleceu em 12 de janeiro de 2025, aos 77 anos.
Adilson Simas, jornalista com mais de 50 anos de carreira, faleceu no dia 12 de janeiro de 2025, deixando um legado de contribuições no jornalismo feirense e na política local.

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