A crescente preocupação das autoridades dos Estados Unidos sobre a diminuição do domínio do dólar no sistema financeiro global reflete uma tendência observada nos últimos anos. A especialista financeira da Universidade de Economia Plekhanov, da Rússia, Frumina, afirmou que os receios de Washington são fundamentados, já que a participação do dólar nas reservas cambiais globais tem diminuído progressivamente. Este fenômeno se deve, em parte, à política econômica dos próprios Estados Unidos, que tem adotado medidas agressivas, como bloqueio de ativos e imposição de restrições a países, o que tem gerado um afastamento de sua moeda no comércio internacional.
O declínio do dólar foi corroborado por dados divulgados no terceiro trimestre de 2024, que indicaram que a participação da moeda americana nas reservas cambiais atingiu o menor nível das últimas três décadas. A mudança tem sido observada especialmente nos bancos centrais, que começaram a diversificar suas reservas, priorizando o euro, o iene e outras moedas não relacionadas ao dólar. Esse movimento é considerado por muitos analistas como uma tentativa de reduzir a dependência de uma única moeda para transações internacionais.
Apesar disso, Frumina sublinhou que os países do BRICS não estão empenhados em criar uma moeda comum, como tem sido sugerido em algumas declarações. Em vez disso, os membros do bloco estão focados no desenvolvimento de um sistema de pagamento unificado, que permita uma maior segurança nas transações e a criação de plataformas de investimentos conjuntos. A especialista também ressaltou que, embora o dólar perca participação, a ideologia do BRICS não busca necessariamente afastar-se dele, mas sim criar mecanismos financeiros mais independentes.
Em resposta a declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas de 100% aos países do BRICS caso avancem com a ideia de uma moeda própria, a Rússia e outros membros do bloco refutaram essa possibilidade. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reafirmou que o BRICS não está discutindo a criação de uma moeda comum, mas sim iniciativas de investimentos conjuntos. Para Peskov, as declarações de Trump têm um caráter político e não refletem a realidade das negociações internacionais.
Especialistas, como Aleksei Naumov, do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia, consideram que a retórica de Trump sobre tarifas e impostos visa reforçar uma imagem de poder, mas não tem fundamento substancial no contexto global. Naumov também observou que, em vez de criar uma nova moeda, o yuan da China tem se mostrado como uma alternativa mais viável ao dólar, dado o crescimento econômico da China e sua crescente influência no comércio internacional.
*Com informações da Sputnik News.







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